Sorriso no rosto estampado o tempo todo. Piadinhas, brincadeiras, muita gentileza e muitas "selfies". O meia Fernandinho recebeu a imprensa londrinense em sua escolinha oficial ontem à tarde com essa alegria toda. Também pudera. Afinal, 2014 é um ano ímpar na carreira do jogador, que foi campeão inglês pelo Manchester City e está na lista dos jogadores que o técnico da seleção brasileira Luiz Felipe Scolari levará para a Copa do Mundo.
O londrinense se apresenta na segunda de manhã junto com os demais convocados para iniciar a preparação para a Copa. Antes, passou por Londrina para poder levar na bagagem toda essa alegria contagiante da cidade por ter um representante na seleção.
Um dos principais jogadores do City na conquista do inglês, Fernandinho vê como decisiva a mudança para a Inglaterra para estar na Copa. "O futebol da Ucrânia não é reconhecido. Tive algumas convocações, fui bem, mas fiquei dois anos longe da seleção. Foi aí que vi que precisava sair do Shakhtar, disputar um campeonato mais forte, com visibilidade", contou.
Fernandinho chegou ao City em junho do ano passado após uma transferência milionária para concorrer com astros do futebol mundial, como o marfinense Yaya Touré e o espanhol Javi García. Com personalidade, foi logo se impondo e assumindo a titularidade. Pior para a o jogador da seleção da Espanha.
Para o meia, suas principais virtudes, a obediência tática e a versatilidade, foram determinantes para que se firmasse no novo clube. No City, mudou seu jeito de jogar. Na Ucrânia, atuava mais próximo ao gol. Em Manchester, é o primeiro volante. "Um dos fatores que pesou foi minha obediência tática. Na temporada passada, o City sofreu com dois volantes que saíam para o ataque e deixavam a defesa aberta. Numa conversa com o (treinador Manuel) Pellegrini, ele me pediu esse equilíbrio para não deixar a defesa desprotegida", revelou o autor do gol do título da final do Mundial Sub-20 em 2003.
Essa polivalência foi também o que cativou Felipão. Ele viu em Fernandinho um atleta completo, que podia ser utilizado tanto na marcação como na armação, aparecendo para o ataque. E essa versatilidade, que na época de PSTC, era chamada de "fome", o faz sonhar com a titularidade. "Cada jogador tem sua característica, seu jeito de jogar. Desde o PSTC, sempre atuei em várias posições e talvez isso tenha me ajudado muito. Sempre joguei em mais de duas funções e sempre ajudei meus treinadores da forma como eles precisaram e acho que isso me levou à seleção", apontou. "Sou versátil, me adapto fácil às funções e isso me levou à Inglaterra e à seleção", completou o jogador que atuou em 90% dos jogos do City na temporada 2013/2014 pelas quatro competições que o clube
disputou.
O jogador comparou sua ida à seleção com a do ibiporãense Kleberson, em 2002. Na época, o jogador que também saiu do PSTC e defendia o Atlético Paranaense conquistou a vaga na Copa nos últimos instantes, virou titular no meio dela, deu o passe para um dos gols de Ronaldo na final contra a Alemanha e voltou para cá consagrado.
"Naquela época, meu futuro era o Atlético e minha expectativa era ter sucesso como ele, me destacar como ele, brilhar como ele. Foi minha inspiração", disse. "Hoje, o sonho é ganhar o mundial, voltar para Londrina, ser exemplo para outras crianças, outros jogadores", disse o pai do Davi, de três anos, que enquanto o pai dava entrevista, mostrava as habilidades com a bola e ensaiava um grito de "gol do papai na Copa".

Confira o vídeo com trecho da entrevista:

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