A adrenalina de velejar numa prancha planando, rasgando o oceano em níveis críticos de velocidade, a mais de 50 km/h, é indescritível! Voando baixo o windsurfer, suspenso pela cintura a uma vela inflada pela incrível força do vento, fica com o corpo totalmente inclinado – suas costas quase encostam na água... O windsurf proporciona ao praticante uma sensação de liberdade de intenso contato com as forças da natureza.
O esporte, amplamente explorado em vários pontos do mundo, tendo o arquipélago havaiano como meca, está pouco difundido no nosso estado, que carece de bons picos e infraestrutura para a prática nas cercanias das principais cidades. Em Curitiba existe um grupo de felizardos que aproveitam e se deliciam a cada sopro de vento. E já estão organizados. Viajam bastante e, ainda, realizam um circuito de competições anuais visando promover e consolidar a modalidade no Paraná.
Neste último fim de semana, a galera se reuniu na paradisíaca Praia do Forte, um dos mais belos recantos da Ilha do Mel, em disputa pela peimeira etapa paranaense de Windsurf 2001. O visual exótico da única fortificação portuguesa no Paraná do período Brasil Colônia, Fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres (1770), aliada à densa vegetação intacta desta parte da ilha, contrastou com o vivo colorido das velas que divertiam-se à valer entre as bóias da regata.
Regata Repleta de Surpresas
A competição contou com duas baterias de slalom, trajeto em 8, no sábado, e a emocionante prova de long distance, no domingo, percorrendo os dois quilômetros que separam a Fortaleza da Ilha das Peças.
Apesar dos excelentes dias de sol, o vento fraco do sábado ficou aquém das expectativas. Mas a hora da largada roubou a cena: os competidores aguardavam ansiosos, sentados na praia, o sinal de início e partiam, como loucos, correndo para a água com seus equipamentos. Quem largasse melhor levava uma boa vantagem em relação aos outros participantes. Foi o caso de Peter Berndt na primeira bateria que liderou firme até o final. Já na segunda prova, Edgar Navarro, com sua vela maior, de 8 m metros, não deu chances aos demais e levou a melhor.
Após uma noite de lua cheia gigante, fogueira, violões e altas desafinadas, a galera acordou um pouco tarde e lá pelas três da tarde, quando o vento entrou com maior intensidade – rajadas de até 15 nós (27 Km/h), o campeonato recomeçou com a última e mais esperada prova, a de longa distância. Os velejadores teriam que velejar um percurso de dois quilometros até Ilha das Peças e voltar ao ponto de partida, orçando – enfrentando o vento contra, sudeste, voltando em ziguezague.
Mas a forte correnteza, originada pela alta variação da maré do período de lua cheia, vinha da mesma direção do vento, tornando a volta quase impossível de ser cumprida. Apenas um atleta, Edgar Navarro, conseguiu voltar à bóia do ponto de partida, com o tempo de 47 minutos. O restante dos competidores foram arrastados pela correnteza e pararam no final da praia, alguns tiveram que ser resgatados pelas lanchinhas de apoio na distante Ponta do Hospital.
Terapia sadia e ecológica
O campeão da etapa, Edgar Navarro, 40, encontrou no wind o equilíbrio emocional: ‘‘O windsurf é sensacional! Além de ser um esporte saudável, excelente para o físico, funciona como uma via de escape à estressante rotina da vida urbana’’, ressalta Edgar que enfrenta árduos expedientes em seu consultório odontológico.
O veterano Sebastião Nunes Neto, 50, achou na modalidade uma realização pessoal: ‘‘Quando praticava iatismo sempre precisava de, no mínimo, mais uma pessoa para ajudar no velejo. Achei no windsurf a verdadeira liberdade e autonomia, fundamentais conceitos da arte de velejar.’’ Já seu colega Robson Marques, 52, garante que participa dos campeonatos para aprimorar a técnica, ao contrário de outros tantos veteranos que velejam por hobby. E revela que o mais importante na modalidade é profunda comunhão com a natureza: ‘‘O atleta tem que estar concentrado, atento à variações do vento e da maré, especialmente com a direção e intensidade da correnteza.’’
A segunda etapa do Circuito Paranaense de Windsurf está marcada para os dias 24 e 25 de março, em Antonina, e se realizará juntamente com as demais categorias de iatismo. Será um colorido show de velas!

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