La Plata - O técnico Mano Menezes avisou na sexta-feira: ''A Venezuela não mais uma galinha morta''. Parecia prever o fiasco que vinha pela frente na estreia de seus comandados na Copa América. Apática, previsível e sem poder de finalização, o Brasil parou na forte marcação venezuelana e deu largada na competição com um empate em 0 a 0, decepcionando tanto quanto a anfitriã Argentina. Ainda na sexta, o treinador havia pedido paciência ao torcedor. Porém, ela já acabou. A exemplo dos dois últimos jogos antes da estreia, o time brasileiro deixou o gramado sob vaias.
O time ofensivo, alegre e atrevido ficou no hotel em que o time treina em Los Cardales. O que se viu foi um pouco de futebol no primeiro tempo e um time totalmente desarrumado no segundo, com Ganso, Neymar, Robinho e Pato, o ''quarteto fantástico'', apagado.
Agora, a nova chance para a apagar a imagem ruim deixada ontem será no sábado, quando o Brasil pega o Paraguai, em Córdoba, às 16 horas.
A primeira chance surgiu com Robinho a um minuto, ele chutou de fora da área e o goleiro Vega defendeu.
Aos 12 minutos Robinho teve outra chance. Após troca de passes na área, André Santos bateu cruzado e Robinho desviou para fora.
As principais chances apareciam quando Ganso entrava em cena. O camisa 10 brasileiro não dava mais do que dois toques na bola para deixar um companheiro em boa situação. Ele destoava do displicente Robinho. E foi sem tocar na bola que ele deixou Pato na cara do gol. Daniel Alves cruzou, Ganso fez o corta-luz e a bola sobrou para o paranaense do Milan, que ajeitou e soltou uma bomba no travessão, aos 26 minutos.
Logo em seguida, um cachorro invadiu o gramado, deu a volta olímpica e saiu pelos vestiários.
A Venezuela apertou a marcação no setor de criação brasileiro, que passou a usar muito os lançamentos. Aos 29, Pato teve nova chance, ao receber lançamento de longe de Ramirez e chutar rasteiro.
Aos 37, Robinho perdeu mais uma. Neymar puxou contra-ataque rápido e deixou Robinho na cara do gol. Ele parou, ajeitou, escolheu o canto e demorou uma eternidade para concluir, dando tempo para o defensor venezuelano deitar no chão e salvar com o peito. Os brasileiros ficaram reclamando pênalti que não aconteceu. Na última chance do primeiro tempo foi a vez de Neymar perder grande chance.
Na volta do segundo tempo, Ganso encontrou um pouco mais de espaço, mas pecava nos passes. Daniel Alves passou a aparecer mais, mas também esbarrava na última bola. Já Neymar, bem marcado, continuava sumido desde a metade do primeiro tempo. Já a Venezuela se soltava cada vez mais.
Com o tempo passando, o nervosismo brasileiro foi aumentando e os erros também. Sentindo que a seleção estava acuada, o torcedor passou a apoiar. Aos 19 minutos, Mano sacou o inoperante Robinho para colocar Fred. O ex-santista deixou o gramado debaixo de muita vaia dos torcedores, que já perderam a paciência com o jogador, em jejum pela Seleção há um ano, desde a eliminação na Copa da África. Logo na sequência, passou a gritar o nome do são-paulino Lucas.
A Venezuela chegava cada vez com mais perigo. Aos 28, Arango chutou e a bola passou bem perto do gol de Júlio César. Foi então que Mano resolveu atender aos pedidos da torcida e colocou Lucas no lugar de Pato. Ramirez também deixou o campo machucado e deu lugar a Elano. Pato também foi vaiado.
As mudanças não surtiram efeito e o Brasil seguiu inoperante. Melhor para a Venezuela, que repete o placar do último jogo entre as duas equipes e comemora como se fosse um título.



EM LA PLATA


Brasil 0


Julio Cesar; Daniel Alves, Lúcio, Thiago Silva e André Santos; Lucas Leiva, Ramires (Elano), Paulo Henrique Ganso e Robinho (Fred); Neymar e Alexandre Pato (Lucas). Técnico: Mano Menezes

Venezuela 0


Vega; Rosales, Vizcarrondo, Porozo e Cichero; Lucena, Rincón, Arango e González (Di Giorgi); Fedor (Maldonado) e Rondón (Moreno). Técnico - César Farías

Árbitro: Raúl Orozco (Bolívia)
Estádio: Ciudad de La Plata
Renda e público: Não disponíveis

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