São Paulo, 04 (AE) - As torcidas do Corinthians e da Portuguesa foram protagonistas de um clássico atípico em todos os sentidos. Nas arquibancadas do time do Canindé, os sorveteiros logo entregaram os pontos e decidiram promover um animado jogo de baralho, a R$ 0,50 a rodada. "Não deu nem para o ovo de Páscoa", disse o vendedor Adalberto da Silva, lamentando o pequeno público no Morumbi.
"Foi o clássico mais sossegado de que me lembro." José Pereira, também sorveteiro, era o menos preocupado com o prejuízo. Depois de vencer três rodadas contra Silva e outros quatro companheiros, já havia ganho dinheiro suficiente para pagar o ônibus de volta para casa. "Mas o resto acho que vai ter de tirar dinheiro do bolso para a condução." Dez minutos após o início do jogo, o cambista Ademir Camargo estava desolado. Ainda sobravam 15 ingressos de arquibancada, que estava vendendo por R$ 3,00. Na bilheteria o preço era de R$ 10 00. Os outros companheiros, segundo ele, já tinham ido embora conformados com o prejuízo.
"Escolheram um dia impróprio para a partida, feriado de Páscoa", lamentou. Na sede da Polícia Militar, nenhum incidente havia sido registrado antes do jogo e a motorista da ambulância lia uma revista para passar o tempo.
Nas arquibancadas da Portuguesa, a torcida fez juz à fama de hospitaleira e não protestou contra a presença de alguns torcedores do Corinthians no local. Era possível ver torcedores apertando as mãos e jogando conversa fora, como o luso Rodrigo Mendes Barreto Neto e o corintiano Wagner Rodrigues. O torcedor da Portuguesa disse vir representando o pai e o avô, que passaram para ele o amor pelo clube, e estava confiante na vitória. "A corda sempre arrebenta do lado mais fraco e o lado é o de lá." Rodrigues, por seu lado, esperava que um bom resultado do seu time.
A presença de mulheres e crianças foi marcante. O torcedor da portuguesa Manoel Hipólito levou as duas filhas, Adelaide e Ana Paula, mais sobrinha Janaína dos Santos para ver a partida, as três corintianas. "A gente percebeu que era o melhor time, brincou Adelaide.
O pai esperava por um gol de Didi e uma vitória da Portuguesa. Na arquibancada corinthiana, Gevanilda Santos assistiu seu primeiro clássico ao lado do marido e dos dois filhos. A expectativa era de jogo emocionante. "Corinthians sempre dá espetáculo." Entre os torcedores mais fanáticos das duas torcidas, o assunto era a obrigação de vencer. "Se a gente não ganhar da Portuguesa, vai ganhar de quem?", perguntava o corintiano André dos Santos. "Se eles empataram com o Treze, porque que a gente não pode ganhar?", perguntou o luso Élcio Mendonça.

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