Velocista critica uso do doping do guia por atletas
Rio - Uma das principais atletas paraolímpicas mundiais, a velocista brasileira Ádria dos Santos criticou os competidores que se aproveitam de uma brecha nas regras para melhorarem seus tempos. Para ela, o fato de alguns oponentes burlarem a lei e correrem com uma ajuda extra de seus guias constitui doping, além de empobrecer o atletismo para cegos.
''A regra permite que utilizemos uma corda pequena para o guia nos conduzir. Só que alguns a usam para empurrar o atleta, forçar uma passada maior, com a ajuda do cotovelo, e isso é errado'', reclama Ádria. ''Acho que o certo seria o guia correr sem encostar na atleta. A lei deveria ser mudada porque não é justa.''
Por sua postura, Ádria recebeu diversos elogios durante os dois meetings que participou na Espanha, em maio. Apesar de os dirigentes espanhóis serem os principais defensores da regra, os técnicos do país saudaram a atleta por não modificar sua maneira de competir.
No Rio, Ádria vai participar das provas de 200, 400 e 800 metros rasos, e até por causa do ''jeitinho'' utilizado pelas adversárias não acredita nas chances de conquistar uma medalha de ouro. Ele disputaria ainda os 100m rasos, mas uma contratura muscular a obrigou a desistir. A velocista, atual recordista mundial dos 200 metros rasos, com 24s99, se recusa a adotar o procedimento. ''Vou subir ao pódio mas não para a medalha de ouro. Tentarei melhorar meus tempos o máximo possível. Só sei que nas atuais condições não dá'', lamentou Ádria, que completará 33 anos.
''Em Atenas (2004), herdei a medalha de ouro nos 200m porque a chinesa (Chung Miao Wu) foi desclassificada por ter sido ajudada pelo guia'', lembra Ádria, dona de 12 medalhas paraolímpicas e nove parapan-americanas. (Agência Estado)





