Velocidade e sede de vitória
A palavra superação já fazia parte do dicionário de Terezinha dos Santos quando ela, provavelmente, ainda aprendia a ler e escrever.
Ela não lembra muito bem, mas acredita que foi entre os sete ou oito anos de idade que sofreu um acidente ao cair de uma cerca quando brincava na cidade natal Caxias, no estado do Maranhão. Um tratamento que não deu certo no hospital acabou resultando na amputação do braço esquerdo.
Até o ano passado, a jovem mal podia imaginar a possibilidade de tentar uma vaga nas Paraolimpíadas e tinha como único esporte o futebol.
O atletismo apareceu por acaso, quando um amigo comentou sobre a equipe da Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil). Ela resolveu tentar e passou a competir nos 100 metros livres, arremesso de dardo e de peso. Ao participar da primeira competição, o Regional Rio-Sul do Circuito Loterias Caixa Paraolímpico, a atleta surpreendeu na corrida e se classificou para a etapa nacional. Nasceu então uma velocista, que deixou a bola, os dardos e pesos de lado e passou a correr também os 200 e 400 metros livres. ''Foi um 'tiro no escuro', fiz a inserção no esporte e deu certo, quando vi já estava determinada'', declara a atleta.
Nesse pouco tempo ela conheceu rapidamente a empolgação de começar no esporte, mas também um certo desânimo por não ter certeza se os segundos no cronômetro cairiam quando ela passasse pela linha de chegada. Até que no início desse ano ela viu uma luz se acender novamente.
Terezinha participou mais uma vez da competição regional e não apenas foi bem, como conquistou índice paraolímpico nas três provas e bateu um recorde nacional nos 400 metros com o tempo de 1min03seg01. Agora, ela precisa se superar um pouco mais no Circuito Nacional do dia 15 de junho, em São Paulo, para conquistar seu lugar junto ao grupo de para-atletas que irá para Londres no segundo semestre. ''É um peso grande estar representando Londrina e o nervosismo de vez em quando bate. Mas tenho esperança e uma sede muito grande de chegar no pódio'', afirma.
Determinada, a atleta treina duro para superar uma certa desvantagem que sabe ter em relação às adversárias. ''Elas têm a amputação mais embaixo e a minha por ser mais curta fica mais complicado. Mas a tendência é sempre melhorar e vontade de superar tenho bastante''.
E cada dia é uma luta para a jovem, que precisa conciliar os horários de treino com o trabalho de atendente de restaurante e a faculdade de Recursos Humanos. Não deve ser fácil, já que os treinos ultimamente estão cada vez mais puxados. ''Culpa'' da treinadora Fernanda Pereira de Souza. ''Velocidade ela já tem, por isso estamos mais focadas nos 400 metros, fazendo treinos mais de força e resistência'', explica.
Vagas nas Paraolimpíadas
A etapa nacional do Circuito Loterias Caixa Paraolímpico, em junho, é a última chance para que os para-atletas brasileiros da natação, atletismo e halterofilismo conquistem uma vaga em Londres. De acordo com a assessoria de imprensa do Comitê Paraolímpico Brasileiro, já existem atletas pré-convocados, mas como hoje devem ser divulgadas mais vagas, aqueles que não estão listados ainda têm chances de se classificar.
Também há atletas que estão garantidos na competição, como a halterofilista de Londrina Márcia Menezes, também da Adefil. (J.F.)





