Zíper na boca
Já disse muitas vezes que em determinados casos, pais de atletas podem estragar o desempenho do filho, seja no futebol, no futsal, no vôlei, no basquete, na natação e no kart, por aí afora. Quantas vezes não presenciamos pais ou mães totalmente histéricos durante a apresentação dos filhos. Acho que a presença dos pais nas competições deveria ser como meros espectadores e, de preferência, com um zíper na boca. Afinal, a criança que está começando um determinado esporte, tem um treinador ou alguém que está ali para orientar o que está certo ou errado.
Agora, há também o outro lado, onde entra o apoio, a torcida e a parte financeira. Aí os pais têm que se virar para que o (a) filho (a) possam participar das competições, na ânsia, quem sabe, de que no futuro possam ser atletas de destaque a nível nacional e até internacional, como muitos exemplos que existem hoje.
Estou falando disto para entrar em um assunto delicado e até agora mal explicado. O londrinense Thiago Tobias Lopes é um dos muitos garotos que sonham em ser um ídolo no esporte e, ele, especificamente no automobilismo. Piloto de kart da categoria Júnior, Thiago foi disputar no último dia 4 deste mês, em Curitiba, da terceira etapa do Campeonato Paranaense. Segundo os relatos de Eliana, sua mãe, ele foi segundo colocado na tomada de tempos, mas foi desclassificado após a vistoria técnica, devido a uma peça estar torta no motor.
Thiago largou em último (15º) lugar e foi recuperando posições até cruzar a linha de chegada em segundo lugar, resultado que lhe daria a liderança da categoria na classificação do campeonato. Quando se dirigia ao pódio foi chamado na secretaria e comunicado que fora novamente desclassificado por atitude anti-desportiva. O interessante é que durante a prova ele não recebeu nenhuma bandeira de advertência, o que seria natural. Existe uma fita de vídeo que mostra que ele não cometeu nenhuma infração.
A dúvida que fica no ar é que não existe uma palavra oficial dos comissários desportivos que estavam no local. Não se sabe se esta punição foi por outro motivo ou interesses de terceiros. Além do mais, a Federação Paranaense de Automobilismo resolveu impedir os pais do pilotos (José Nilton e Eliana) de adentrar aos boxes, pistas ou locais aonde ficam as equipes, por seis meses, e suspendeu Thiago por 28 dias. A mãe do piloto diz ainda que foi agredida no dia da prova, quando a confusão foi formada e criticou fortemente a federação, dizendo que a mesma pessoas sem qualificação para trabalhar em provas e dá pouca atenção ao automobilismo paranaense em geral. É, a coisa está feia mesmo.
- Hoje se fala muito em marketing esportivo, em profissionalismo e tudo mais. Mas parece que as algumas federações que cuidam de determinadas modalidades esportivas no Paraná ainda pecam pelo amadorismo ou falta de interesse em divulgar o seu produto, ou seja, os seus campeonatos. No último domingo tivemos em Londrina a segunda etapa do Paranaense de Motovelocidade e a divulgação do evento foi feita no final da tarde de sexta-feira, por pessoa que não qualquer ligação com a modalidade. Já o Paranaense de Automobilismo só é divulgado porque a imprensa vai atrás, até das programações das provas, uma vez que a entidade não divulga nada e nem se preocupa em mandar os resultados das corridas com a classificação atualizada – como acontece em toda parte do mundo – no mesmo dia do evento. E ainda acham que a imprensa dá pouco destaque. Porque será?

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