Velocidade (Alberto Macedo)
O dilema de Barrichello
Apesar de ter contrato com a Ferrari até o ano 2002, isso não quer dizer que o alemão Michael Schumacher possa cumpri-lo até o fim. Também não se sabe se Eddie Irvine irá ficar no time italiano mesmo que venha a ganhar o título deste ano, algo que não acontece há 20 anos. A ida de Rubens Barrichello para a escuderia de Maranello também está cercada de dúvidas.
O que se sabe, porém, é que Schumacher tem um convite da Ford, que comprou a equipe Stewart por U$ 160 milhões e, a partir do ano que vem, vai investir forte no time já para ganhar corridas no próximo ano e lutar pelo título em 2001. A Jordan, que não terá Damon Hill, no próximo campeonato, nunca escondeu que deseja contar com Irvine que, por sinal, estreou na F-1 neste time. Já Barrichello conta com o apoio de Jean Todt para ir para a Ferrari, uma vez que o dirigente simplesmente não conversa com Irvine.
Para Barrichello fica um dilema, o de sentar em uma Ferrari, sonho de qualquer piloto, mas tendo que se conformar em ser o segundo, ou continuar na Stewart, que no ano que vem receberá apoio maciço (entenda-se financeiro) da Ford, e continuando como o piloto número 1.
- Será que Michael Schumacher volta a correr este ano? Estar apto ele vai estar até o final do mês. O problema é se ele vai aceitar a trabalhar para o seu companheiro de Ferrari, o norte-irlandês Eddie Irvine, líder com 52 pontos contra 44 do finlandês Mika Hakkinen, da McLaren. Se Irvine vencer o próximo GP, dia 15, na Hungria, ampliaria sua vantagem na liderança e teria condições de se consolidar na prova do dia 29, na Bélgica.
O certo é que, se Irvine não obter bons resultados nestas provas e deixar Hakkinen encostar ou até ultrapassá-lo, Schumacher, que hoje tem 32 pontos, voltaria no GP da Itália e, faltando ainda quatro provas, poderia tentar o que seria quase impossível de tirar a diferença e entrar na última corrida do ano ainda com chances. Seria uma forma de manter a hegemonia no time. Agora, se Irvine disparar na liderança resta saber o que fará o piloto alemão.
- O piloto Christian Fittipaldi, que este ano realiza sua melhor campanha na Fórmula Indy, ocupando a quarta colocação com 101 pontos - o líder é o colombiano Juan Pablo Montoya -, com 129, apesar de não ser considerado um piloto dos mais arrojados, tem a carreira cercada por vários acidentes. O último, na segunda-feira passada, em Madison, quando bateu a quase 280 km/h, chegou a assustar, mas ele já passa bem.
Em 92, no seu primeiro ano na F-1, ele sofreu uma fissura na coluna no GP da França e ficou quatro provas sem correr; em 93, em Monza, subiu nas rodas do italiano Pierluigi Martini e decolou, completando uma volta no ar e caiu sobre as quatros rodas, não sofrendo nada; em 96, já na Indy, no Brasil, bateu forte no muro e machucou a coluna; e em 97, na Austrália, depois de ser tocado por Gil de Ferran, bateu duas vezes no muro, fraturando a tíbia, o que lhe deixou três meses sem correr.
- Hoje tem Indy nas ruas de Detroit. Com Christian de fora, a torcida é para Gil de Ferran, sétimo colocado com 88 pontos. Está na hora de reagir. Tony Kanaan e Hélio Castro Neves são outros que podem se dar bem.





