Velocidade - Bom aluno, bom piloto
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Não há renovação sem incentivo às categorias de base. A constatação, que aos olhos leigos parece óbvia, na prática exige um trabalho árduo, principalmente em um esporte considerado de alto investimento como o automobilismo. E este processo na modalidade passa pelo kart. Foi esse, por exemplo, o caminho que trilharam alguns dos maiores nomes brasileiros das pistas, como Ayrton Senna e Rubens Barrichello.
Mas nos últimos anos, o alto custo até para quem inicia afastou muitos garotos do esporte. Propiciar aos postulantes a piloto uma estrutura mais barata ainda é o grande desafio das entidades que administram a modalidade. A Associação dos Kartistas da Região de Londrina (AKRL), em parceria com a Federação Paranaense de Automobilismo (FPA), começa a colher os primeiros frutos com o Projeto Bom Aluno.
Em parceria com escolas da cidade, pelo menos 12 garotos com idade entre 6 e 11 anos já sentiram o gostinho de pilotar um kart pela primeira vez. A ideia do programa é despertar nas crianças o gosto pelo automobilismo e fortalecer o kartismo na região. "Nos últimos anos, tivemos poucos garotos iniciando no esporte na região de Londrina. E esse é um dos caminhos para crescer. Tem bastante gente que anda, mas é um pessoal já adulto e a renovação não acontece. Falta um incentivo e é isso que queremos proporcionar com o projeto", explica o presidente da AKRL, Samuel Júnior Ferreira.
Em seis meses de atividade, são duas escolas cadastradas como parceiras, mas o dirigente reforça que o projeto está aberto a todas. Basta fazer o cadastro no site da associação (www.kartlondrina.com.br). É a própria escola que vai indicar até 20 alunos para participar. As primeiras duas aulas são por conta do projeto. "Depois, se a criança gostar, o pai arca com os equipamentos e o kart, mas a associação fornece o motor e o custeio com mensalidade e inscrição nos campeonatos", explica Ferreira, acrescentando que o investimento inicial é reduzido pela metade e fica entre R$ 4 mil e R$ 5 mil. O projeto tem seis alunos. Todos eles vão participar do campeonato paranaense na categoria cadete deste ano. "É uma categoria que já existia, mas nem dava grid", conta Ferreira.
ÁS NO ESTUDO
Gabriel Bonilha, de 8 anos, é um dos confirmados. Ele foi o primeiro aluno e, incentivado pelo pai, já gostava bastante de automobilismo antes de entrar para o projeto. "Como uma das regras para mantê-lo no kart é estudar e ter boas notas, ele melhorou muito. Foi aprovado sem sustos no ano passado. É uma coisa que ele ama fazer", revela o pai, o gerente comercial Agnaldo Rafael. O sonho do garoto é fácil de adivinhar: "quero ser piloto da Fórmula-1", projeta.
O presidente da FPA, Rubens Gatti, conta que projetos semelhantes já são desenvolvidos em outras cidades do Estado, como Cascavel (Oeste) e Pato Branco (Sudoeste). "Tem funcionado muito bem. Queremos dar acessibilidade, mostrar que a base é acessível. É um desafio grande", pontua. "Mesmo que o garoto não venha a ser um piloto, mas pode ser um preparador, por exemplo, temos uma carência grande de profissionais também", completa o dirigente.


