Velhinhos, mas bons de bola
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quarta-feira, 31 de julho de 2002
Agência Estado 
São Paulo - No Brasil, o sujeito ultrapassou os 30 anos e já começa a ter dificuldade em arranjar um novo emprego. No futebol não é diferente. Basta ver que muitos dos que um dia já foram considerados craques, hoje não têm onde jogar. Ganharam títulos pelas principais equipes do País e do mundo, estiveram envolvidos em grandes negociações e atualmente correm o risco de encerrar a carreira pela porta dos fundos, sem glamour e esquecidos.
Com a fama veio a valorização. Com a valorização, a inviabilização de novos contratos. No momento em que os clubes estão cortando receita, atletas de salários maiores como Mauro Galvão, 40 anos, Zinho, 34, e Valdo, 38, tiveram de ser dispensados pelo Grêmio, que não tem mais dinheiro para mantê-los.
O zagueiro Mauro Galvão é um dos casos de maior longevidade da história do futebol nacional. O prêmio: está no olho da rua depois de mais de 25 anos de carreira. Zinho tinha 33 anos em 2001 e, mesmo assim, foi considerado um dos melhores meias em atividade no País. Assim como ocorreu com Valdo, em 2000, pelo Cruzeiro, ou com o colombiano Fred Rincón, em 1999, pelo Corinthians. Todos estão encostados.
Rincón, um estrangeiro em busca de emprego em território brasileiro, está atualmente com 35 anos. Foi oferecido ao Santos, mas foi recusado.
O desemprego não poupou nem mesmo os heróis do tetracampeonato. O lateral-direito Jorginho, com dois mundiais no currículo, deixou o Fluminense em maio e não conseguiu voltar a jogar. Aldair, 36, andou rondando a Gávea, mas o Flamengo não teve condições de trazer o melhor zagueiro do Mundial de 1994, dispensado, por causa da idade, pela Roma, da Itália.
O atacante Bebeto não se firmou em nenhuma equipe após a Copa dos Estados Unidos e, hoje, com 38 anos, aguarda em casa alguma proposta. Mesmo o badalado Romário, 36, artilheiro do último Brasileiro, está com dificuldade em arranjar novo clube por causa de seu alto salário. Deixou o Vasco e está prestes a ser contratado pelo Fluminense (ou pelo Flamengo, ou pelo Botafogo, ou pelo...).
Muller, 36, com três Copas no currículo, incluindo a do tetra em 1994, destacou-se em dezenas de clubes até ser dispensado pelo São Caetano no início do ano. As igrejas evangélicas ganharam um pastor em tempo integral, enquanto o mundo do futebol mal percebeu sua retirada.
O goleiro Wagner, 33, ex-Botafogo-RJ, rescindiu seu contrato há cerca de um mês. Depois de nove anos de clube, resolveu mudar de ares. Talvez se arrependa. O atacante Valdir, 36, deixou os campos e ultimamente só vem atuando nos tribunais, no processo que move contra seu ex-clube, o Atlético-MG.


