Zagueiros, jogadores de meio-de-campo e atacantes. Eles já passaram dos 30 anos e estão provando em campo que não estão velhos para o futebol. Em um País conhecido por revelar jovens talentos a cada temporada, os ‘velhinhos’ têm ganho espaço em grandes clubes brasileiros nos últimos anos e derrubado o antigo preconceito por causa da idade avançada.
O zagueiro Mauro Galvão, do Vasco, é a melhor tradução de sucesso depois dos 30. Aos 36 anos, tem esbanjado vitalidade e foi um dos grandes responsáveis por duas recentes conquistas da equipe carioca - a Taça Libertadores da América deste ano e o Campeonato Brasileiro do ano passado. Galvão jura que, há dez anos, carrega os mesmos 70 quilos, distribuídos em 1,80m de altura.
Conselhos do pai, Oquelésio, de comer carne sem gordura e poucas contusões durante a carreira são as razões para a longevidade, segundo o vascaíno.
Aos 33 anos, o atacante Evair é uma espécie de líder da Portuguesa em campo. Para ele, a explicação para os ‘‘trintões’’ estarem ainda no auge é o profissionalismo. ‘‘São os verdadeiros profissionais que se cuidam fora de campo. O lado psicológico, com uma cabeça sempre boa, também ajuda.’’
Mas, quando o assunto são os ‘‘velhinhos’’, nenhuma equipe supera o Cruzeiro neste Campeonato Brasileiro. A zaga é formada por Wilson Gottardo (35 anos) e Marcelo Djian (31). O meia Valdo tem 34; o atacante Muller, 32; e o goleiro reserva Paulo César, 38. Juntos, os cinco somam 170 anos. A média de idade da equipe titular é de quase 28 anos. Valdo brilhou de 1982 a 88 no Grêmio, passou dez anos fora do País e disputou as Copas de 86 e 90. Além desses dois, Muller também jogou o Mundial de 94.
O Botafogo também não fica muito atrás dos mineiros quanto à idade. O zagueiro Júlio César, com passagem por França, Itália e Alemanha, voltou ao Brasil aos 35 anos. E tem jogado bem. Na frente, a equipe carioca aposta suas fichas no veterano Bebeto, um ano mais jovem do que Júlio César.
No Santos, o ‘‘coordenador’’ do time tem sido Jorginho, um veterano de 33 anos. ‘‘Ele é um jogador de equilíbrio, com grande visão de jogo, adquirida nesses anos de futebol’’, analisa Leão. ‘‘Ele é fundamental à equipe e faz esse trabalho de coordenação muito bem.’’
‘‘Eu faço parte desse pessoal?’’, reage Zinho, bem-humorado. O meia do Palmeiras ainda não se considera um veterano, apesar dos 31 anos. É o jogador mais experiente do time, apesar de um ano mais jovem do que o volante reserva Darci. Zinho acredita ter fôlego para correr normalmente até os 35 ou 36 anos.

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