Velejador solitário chega à Ilha da Trindade
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2000
Por Fabrício Lima 
Ilha da Trindade, 27 AE) - Finalmente o velejador solitário Franco Euclydes chegou na Ilha da Trindade, no extremo leste do litoral do País, onde os militares da ilha costumam dizer que "é onde começa o Brasil". Franco estava sem se comunicar desde o início da Regata Eldorado-Brasilis por causa de problemas com o seu rádio.
Aviões da FAB (Força Aérea Brasileira) e dois rebocadores da Marinha do Brasil foram destacados para buscar o veleiro Sophie, de Franco Euclydes.
"Não dava para eu voltar para Vitória no início. O vento estava contra e achei melhor continuar. Voltar para o continente seria mais perigoso", disse ele, contrariando a tese defendida por outros navegadores de que seria mais seguro e conveniente ter desistido da regata.
De acordo com o velejador, o problema no rádio só foi percebido quando o navio Tridente não respondeu aos chamados obrigatórios para reportar a posição no oceano Atlântico, as 8 horas e 20 horas. "Escutava tudo o que era dito, mas não conseguia responder, explica. "Achei que era algum mal contato e então verifiquei todos os cabos do aparelho, mas não funcionava." Apenas no terceiro dia um avião da FAB conseguiu localizar o Sophy.
"O piloto deu três razantes no veleiro e só ai que percebi que estavam atrás de mim. Mas não imaginava que era para eu voltar." Franco, inclusive, acenou para o avião querendo dizer que estava tudo bem, tanto com ele como com a embarcação.
O mar bravio, nos dois primeiros dias da Eldorado-Brasilis não chegou a assustar Franco, que no último mês trouxe sozinho o Sophy, veleiro de 28 pés, da Inglaterra. "Foi muito difícil essa viagem. Aprendi bastante com ela porque não tinha muito conhecimento. Tomei muito na cabeça, o que facilitou a viagem até Trindade". Antes de chegar em Fernando de Noronha, Franco passou pela França, Espanha, Portugal, Ilhas Canárias e Cabo Verde.
Para resolver os problemas do rádio, o comandante Sakamoto do rebocador Tridente, deu todo apoio possível para a realização dos reparos no veleiro. Enquanto isso, Franco aproveitou para fazer uma ligação via satélite para sua mãe, que estava em Vitória. "Conversei com ela, mas ela me disse que não estava preocupada porque sabia que eu estava bem. Ela não deu bola para as noticias", comentou sorrindo o velejador.
Com o anúncio de busca feito pela Capitania dos Portos, Franco estaria desclassificado da Eldorado-Brasilis, regata com 1.200 milhas náuticas (cerca de 2.500 quilômetros) de ida e volta entre Vitória e a Ilha da Trindade. Assim que chegar em Vitória, dentro de seis dias, irá explicar para os organizadores os motivos da falta de comunicação e tentará manter o seu tempo na regata.
Os veleiros Mar sem Fim, de João Lara Mesquita, Normandie, de Jadir Serra e Albatroz do comandante Luciano Lunardelli, largaram quarta-feira ás 21 horas para a segunda perna da regata. Hoje (27) à noite, se os ventos permitissem estariam alcançando cerca de 100 milhas de Trindade.
Na primeira perna da Eldorado-Brasilis o Albatroz, da Escola Naval do Rio de Janeiro, foi o fita azul (o primeiro a cruzar a linha de chegada), seguidos por Normandie e Mar sem Fim.


