Veleiro Akymoro vai dar a volta ao mundo
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sexta-feira, 14 de abril de 2000
Por Julio Cruz Neto 
Salvador, 15 (AE) - Para o veleiro Akymoro, a Regata do Descobrimento é apenas o início de uma longa, fascinante e histórica viagem. José Pinto Ribeiro e Cristina Fernandes pretendem dar a volta ao mundo em quatro anos. Por enquanto, o Akymoro está em Salvador, assim como o navio-veleiro Cisne Branco, da Marinha, que leva a bordo a reportagem da Agência Estado.
Após deixar a capital baiana, o Akymoro segue com a flotilha até o Rio de Janeiro, porto final da regata. Fica cinco a seis meses na costa brasileira e desce até o fim do continente sul-americano. Entra no Oceano Pacífico e segue direto para as ilhas da Polinésia. "Todos os artistas que estiveram lá ficaram maravilhados e achamos que também vamos ficar", conta José, com brilho nos olhos.
A vontade de conhecer essa região é tanta que eles planejam ficar dois anos no Pacífico. E durante esse tempo, passar um inverno na Nova Zelândia e outro na Austrália. Antes de voltarem a Lisboa, passam ainda por Cingapura, Ceilão, Índia, Quênia, Moçambique, áfrica do Sul e toda a costa ocidental africana.
"Vamos tentar seguir a rota de Fernão de Magalhães, estar onde ele esteve e onde ele morreu", explica José, referindo-se ao navegador português que comandou a primeira circum-navegação da Terra, em 1519, mas não completou a viagem porque morreu nas Filipinas. Da Índia em diante, o casal vai seguir pelo caminho aberto por Vasco da Gama em 1498, quando descobriu o caminho marítimo para a terra das especiarias.
Falando em história e descobertas, José se lembrou que é descendente do próprio Vasco da Gama e também do cartógrafo do século XV Filipo Perestrello, cuja neta foi casada com Cristóvão Colombo. Para comprovar, mostrou uma extensa e muito ramificada árvore genealógica: "Até hoje, a família tem uma quinta que a coroa portuguesa ofereceu naquela época ao Perestrello. Minha família é muito ligada aos descobrimentos e eu sempre quis fazer uma volta ao mundo de veleiro." José e Cristina se conheceram em janeiro de 98 e em outubro, começaram a sair juntos. "No primeiro jantar, combinamos de atravessar o Atlântico. Eu não aguentava mais viver em cidade grande", lembra Cristina, referindo-se a Lisboa. A idéia foi crescendo e durante uma viagem à Grécia, resolveram ousar mais e atravessar logo todos os mares.
O tempo era curto e em seis meses, eles tiveram que vender o carro, desmontar e vender a casa, comprar e montar o barco - um Super Maramu 2000 de 53 pés (16 metros) que, segundo José, custa US$ 650 mil. Entre créditos e débitos, o déficit foi de 50%.
O Akymoro é caro, mas tem máquina de lavar e secar roupa, lava-louça, máquina de fazer pão, motor para atracação, aparelho de DVD. É um luxo. E tem uma capota que fecha completamente a parte externa onde fica o timão. Mas na hora de manobrar velas, duas pessoas dão conta? Sim, porque todo o controle dos cabos está reduzido a um painel cheio de botões. Até a cartografia é eletrônica.
"Temos tudo isso e mais um monte de sonhos na cabeça", diz José, que ficou fascinado com a simplicidade dos velejadores brasileiros: "Nós estamos no meio de pessoas que fizeram coisas tão fantásticas e são normais, como eu, como você. Veja o Amyr Klink. Em Portugal, alguém que tenha feito Lisboa-Madeira (uma viagem curta e simples) é tão arrogante que você nem chega perto." José e Cristina já estão planejando uma grande festa para o ano 2001, quando completam juntos 75 anos - hoje, ele tem 49 e ela, 24. José, meio calvo, não é um tipo atraente. Já Cristina, a musa da regata, arranca suspiros dos marujos, que dariam tudo para velejar uma milha que fosse com ela. Eles não são casados, namoram. E como adoram sushi e sashimi, resolveram dar um formato japonês para a expressão aqui moro: deu Akymoro.


