Vecchi pode deixar o Londrina/TIM
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quarta-feira, 16 de março de 2005
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
O basquete de Londrina pode estar perdendo um dos maiores ícones de sua história. O técnico Ênio Vecchi recebeu convite para dirigir uma seleção sul-americana durante a disputa da Copa América, que será classificatório para o Campeonato Mundial de Basquete de 2006, no Japão. A provável saída de Vecchi reforça a possibilidade de extinção do basquete londrinense, que enfrenta uma série de dificuldades financeiras.
Vecchi comanda o basquete de Londrina desde 1996, quando a cidade participou pela primeira vez do Campeonato Nacional de Basquete Masculino. Nesse período, o técnico conquistou o título paranaense em oito oportunidades, além de ser heptacampeão dos Jogos Abertos do Paraná. No Campeonato Nacional, a melhor colocação de Londrina sob o comando de Vecchi foi o 5º lugar em 2003. Ano passado, Vecchi recebeu da Câmara de Vereadores o título de Reconhecimento Público pelos serviços prestados ao município.
Essa não será a primeira vez que Vecchi assume uma seleção nacional. Entre 1992 e 1994, foi técnico da seleção brasileira adulta. Nesse período conquistou o título do Campeonato Sul-Americano, em 1993, e ficou em 11º lugar no Campeonato Mundial do Canadá. Ainda como técnico da seleção brasileira, Vecchi conquistou títulos em todas as categorias do basquete. Como assistente-técnico de Hélio Rubens, o técnico do Londrina/TIM foi medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, no Canadá, em 1999.
Vecchi preferiu não revelar o nome do país para onde poderá se transferir. Porém, são grandes as chances do convite ter partido da Confederação de Basquete da Venezuela. Somente quatro países da América do Sul se classificaram para a Copa América Argentina, Brasil, Uruguai e Venezuela. Durante entrevista à Folha, Vecchi disse que foi questionado pelos dirigentes se sabia falar espanhol e inglês. ''Melhor que o (Vanderlei) Luxemburgo'', brincou o técnico do Londrina/TIM.
Oportunidade única Vecchi esclareceu que até o início da próxima semana deverá ter uma resposta definitiva sobre o convite. O negócio ainda não foi fechado, pois a seleção que ele deverá assumir ainda não dispensou o atual técnico.
Ele ficou interessado pelo convite, pois teria um contrato de longo prazo e melhores condições de trabalho. ''É uma oportunidade única na vida'', ressaltou o técnico, que deverá se reunir no final de semana com o presidente do Londrina/TIM, Walter Montagna, para definir sua situação.
Em caso de acerto, Vecchi deve iniciar o trabalho no selecionado sul-americano em maio. Como a primeira fase do Campeonato Nacional termina no início do mesmo mês, existe a possibilidade do técnico continuar comandando o Londrina até o final da fase. Caso contrário, o assistente técnico Mazinho assumirá o comando do Londrina/TIM.
Apesar dos problemas enfrentados pela equipe londrinense, Vecchi acredita que o convite surgiu em um momento oportuno. ''O convite me deixou animado e isso pode ser passado para o grupo'', frisou.
O técnico afirmou que sente-se responsável pelas dificuldades enfrentadas pelos atletas, que não recebem salários há dois meses. ''Eles aceitaram o convite de jogar por Londrina porque acreditaram no nosso trabalho'', completou Vecchi, que começou a carreira no Continental e passou pelo Sírio, ambos clubes paulistas, antes de chegar a Londrina.
Na estatística oficial da Confederação Brasileira de Basquete, Vecchi aparece entre os seis melhores técnicos do País, com 133 vitórias em 270 jogos oficiais do campeonato nacional. O primeiro colocado é Hélio Rubens, com 323 vitórias em 460 jogos.


