Rio - Toda reta final de Campeonato Brasileiro a chiadeira sobre a arbitragem cresce. Por conta da dramaticidade exacerbada dos confrontos, erros são realçados e a conta por fracassos recai sobre os árbitros. No ano passado, um pênalti marcado por Sandro Meira Ricci (DF) contra o Cruzeiro e a favor do Corinthians foi motivo de inflamados debates. O mesmo árbitro vai apitar outro duelo crucial para o desenrolar da competição deste ano, o Vasco x Corinthians deste domingo, em São Januário.
E os líderes da tabela de classificação já começam a pressão tradicional do pré-jogo. ''Queremos uma arbitragem neutra. Espero que ela esteja a altura da qualidade e da importância do jogo'', cobrou o presidente cruzmaltino, Roberto Dinamite, ontem, durante cerimônia de inauguração de um novo setor vip no estádio que vai aumentar a capacidade para a partida em 1.700 lugares (inicialmente haviam sido postos a venda 17 mil bilhetes). ''Que o juiz tenha um bom jogo e possa sair aplaudido'', pediu.
No Vasco, o sentimento é de desconforto. Ninguém fala abertamente, mas a crença é de que a influência do presidente Andrés Sanchez, do Corinthians, junto ao presidente de CBF, Ricardo Teixeira, pode fazer pender a balança para o lado paulista em momentos de dúvida. Os cartolas não falam em premeditação. ''Não enxergo fantasmas, mas às vezes falta bom senso. Tem cabimento colocar o Altemir Hausmann para bandeirar este jogo depois que ele anulou dois gols nossos contra o Figueirense?'', ponderou o diretor executivo Rodrigo Caetano, citando partida que terminou em 1 a 1, em Florianópolis, há cerca de 20 dias.
O assunto de bastidor acaba por adentrar no vestiário e mexe com os jogadores. O goleiro Fernando Prass, um dos líderes vascaínos, pede que seus companheiros se concentrem no jogo e evitem a irritação com possíveis erros dos juízes. Mas ele também não fica sem deixar o seu recado. ''Às vezes acontecem coincidências estranhas. Vamos esperar que não ocorram dessa vez''.

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