Rio de Janeiro - O Vasco abriu fogo ontem contra a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), ao saber da posição da entidade de ignorar uma eventual mudança no sistema de disputa do Brasileiro de 2004 na reunião do Conselho Técnico dos clubes da Primeira Divisão, em dezembro. ''A CBF não tem direito, não tem poder e nem moral para tomar decisões que cabem aos clubes'', afirmou o presidente do Vasco, Eurico Miranda.
Ele desconsiderou a entrevista concedida terça-feira pelo presidente-interino da CBF, Nabi Abi Chedid, segundo o qual vai prevalecer em 2004 o sistema de pontos corridos no Brasileiro, mesmo que o Conselho Técnico aponte para outra alternativa. ''A decisão da CBF não vale nada. Vai valer a dos clubes. Se optarem pelos pontos corridos, o Vasco até se submete; caso contrário, a fórmula de disputa do próximo Brasileiro será a definida pelo conselho.''
Eurico Miranda admitiu até recorrer à Justiça para fazer valer a opinião dos clubes. ''Nós pagamos transferência, registro de atletas; a CBF desconta da renda de nossos jogos um porcentual para outros fins; e na hora de decidir ela toma a frente. Não! O Vasco vai se insurgir contra a CBF.''
A manifestação de Eurico não é isolada. Até o rival Flamengo defende que a posição sobre o próximo Brasileiro tenha de sair do Conselho Técnico. ''Ambas as decisões da CBF (sobre pontos corridos e quatro clubes rebaixados em 2004) precisam passar pelo conselho, caso contrário, não valem nada, são meras propostas por enquanto'', afirmou o presidente do Flamengo, Hélio Ferraz.
Ele é a favor da manutenção dos dois turnos, mas com algumas modificações. ''O campeão de cada turno poderia garantir uma vaga para a Libertadores.''. Mas não concorda quanto à queda de quatro clubes. ''Não é diminuindo o número de clubes que vamos resolver os problemas; isso só vai agravar a situação financeira ruim pela qual os clubes passam.''
Já o presidente Bebeto de Freitas, do Botafogo, acredita que o descenso de quatro equipes pode estimular o Brasileiro: ''O ideal é que tenhamos de 18 a 20 equipes no Brasileiro.'' Ele considera ainda prcoce uma avaliação mais rigorosa sobre o sistema de pontos corridos. ''Precisamos de mais tempo para testá-lo.''
Série C A quarta fase da Série C do Brasileirão guarda uma característica incomum, mesmo para os padrões brasileiros de regulamentos. Das 14 equipes que iniciarão a disputa, uma poderá garantir vaga mesmo que perca as duas partidas desta etapa. É o que determina o regulamento: ''estará também classificada automaticamente para a 5 fase a associação que tenha realizado a melhor campanha até então, desde a fase inicial, dentre as sete perdedoras dessa 4fase.'' (Art. 15, par. 2)
No entanto, o texto não especifica critérios para definir qual a melhor campanha. Em um campeonato onde os times disputaram números diferentes de jogos, isso faz muita diferença (a primeira fase teve grupos de quatro e três equipes). Assim, dois times chegaram à quarta fase como principais candidatas a ter vantagem: o RS-RS e o CFZ-DF.

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