Dirigentes do futebol paulista e carioca, reunidos ontem em São Paulo, decidiram dar vitória ao Fluminense na partida em que o time jogaria anteontem à noite contra o Vasco, pelo Torneio Rio-São Paulo, e para a qual as duas equipes se dirigiram a estádios diferentes. Com isso, além de não ter sido punido com a expulsão do torneio, o Vasco terá a vantagem de, descansado, pegar o São Paulo domingo, no Maracanã, pelas semifinais da competição.
Enquanto os vascaínos evitaram o desgaste durante a semana, os tricolores enfrentariam ontem à noite o CSA, pela Copa do Brasil, em Maceió. A delegação do São Paulo tinha a viagem de volta marcada para logo depois da partida. O impasse surgiu porque o Vasco, apoiado pela Federação do Estado do Rio, insistia em jogar em São Januário e o Fluminense, respaldado pelo regulamento do Rio-São Paulo, que marcava os clássicos cariocas para o Maracanã, dirigiu-se para este.
Dizendo-se indignado com a atitude do Vasco, Eduardo José Farah, presidente da FPF (Federação Paulista de Futebol), ameaçou encerrar o torneio se o time de Eurico Miranda não perdesse os três pontos da partida e não se comprometesse a respeitar o regulamento. ‘‘Nos reunimos para mostrar que o futebol é uma coisa séria. Inclusive eu aconselho os torcedores que foram ao Maracanã e a São Januário a reclamarem seus direitos no Procon’’, disse Farah. Em votação na sede da FPF, da qual participaram os oito times que iniciaram a disputa do Rio-São Paulo, todos, exceto o Vasco, votaram pela derrota da equipe por W.O. para o Fluminense. A decisão, pelo menos aparentemente, agradou aos dirigentes da federação do Rio e do próprio Vasco. ‘‘Foi uma punição inócua, porque não muda nada. O Vasco já estava classificado e continua classificado’’, disse Eduardo Viana, presidente da Federação do Estado do Rio, que assumiu a responsabilidade de ter mudado o mando de jogo do Maracanã para São Januário.
‘‘Não assumo que errei, mas fui eu quem marcou para São Januário. O Fluminense tem débitos com a federação e poderia ter concordado e facilitado as coisas.’’
Para Antônio Soares Calçada, presidente do Vasco, o importante é que o time continua no torneio. ‘‘O resto é balela’’, disse Calçada. ‘‘Eu sempre soube que eles não teriam peito de parar o Rio-São Paulo, como não teriam peito de tirar o Vasco. Não estava certo?’’
Os clubes paulistas, apoiados por Flamengo e Botafogo, argumentavam que, pelo regulamento, não havia nada a fazer. ‘‘O W.O. não estava citado no regulamento, que tem muitas brechas. Era uma situação que não foi prevista, e agora não tem como aplicar uma punição’’, disse Alberto Dualib, presidente do Corinthians.
Para José Paulo Fernandes, vice-presidente de futebol do Santos, o regulamento precisa ser reformulado para as próximas edições. ‘‘Não podíamos eliminar o Vasco do campeonato porque isso não estava previsto.’’

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