Vasco perde os pontos e jogará no Maracanã
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 1999
Por Émerson Couto e Paulo Guilherme 
São Paulo, 18 (AE) - A reunião dos oito clubes integrantes do Torneio Rio-São Paulo mais os presidentes das federações dos dois estados mostrou que a rivalidade entre paulistas e cariocas sai do campo e atinge também a política do futebol. O presidente da Federação de Futebol do Rio de Janeiro, Eduardo Viana, assumiu a culpa pela insólita realização de dois WOs no confronto que deveria reunir Vasco e Fluminense pelo Torneio Rio-São Paulo, ontem. Eduardo José Farah, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), irritado, comandou o encontro que definiu uma punição branda para o Vasco.
O Rio-São Paulo é organizado em conjunto pelas duas federações. Nenhuma tem poder de alterar a tabela ou o regulamento isoladamente. Por sete votos contra um, ficou decidido que o Vasco perdeu os pontos da partida. O time carioca se comprometeu a mandar o jogo contra o São Paulo, pela semifinal do torneio, no Maracanã, como prevê o regulamento, sob o risco de ser excluído da competição. Farah sentiu-se vitorioso. "Perdeu o dirigente que vive do passado e não percebeu ainda que futebol não é brincadeira", afirmou Farah.
Eduardo Viana disse que tomou a iniciativa de transferir o local do jogo do Maracanã para o Estádio de São Januário para atender os interesses do Vasco, mas não conseguiu avisar o Fluminense a tempo de sua decisão. Contou que deixou um documento na portaria do clube, não encontrou nenhum dirigente do Fluminense e, em seguida, teve de viajar para a Argentina.
A diretoria do Fluminense só ficou sabendo da mudança do local da partida cinco horas antes do início do jogo. "Se alguém teria de ser punido, é a Federação Carioca e não o Vasco", discursou o dirigente após a reunião. "Eu aceitaria a punição e ficaria rindo", acrescentou Viana, conhecido no Rio como Caixa d´água. "O meu papel é defender os interesses dos clubes do Rio, jamais ficaria do lado de um time paulista."
O dirigente contou com orgulho que já foi reeleito seis vezes no cargo e reconhece que tem divergências políticas com Farah. "Eu lidero o esquema do Ricardo Teixeira enquanto ele faz oposição ao presidente da CBF", destacou Viana. O presidente lembrou que já sobreviveu a duas CPIs no futebol carioca e por isso está sempre à frente dos interesses dos clubes daquele estado. "Sempre adotei a postura de mártir, por isso sou o líder no Rio", argumentou Viana.
O presidente do Vasco, Antônio Soares Calçada, prometeu recorrer da decisão dos dirigentes. Ele sentiu-se prejudicado com a perda dos pontos para o Fluminense na partida, que acabou não sendo realizada.
"Vamos consultar o Departamento Jurídico do clube para saber o que pode ser feito", comentou Calçada. Ele garante que em nenhum momento tentou levar o jogo para São Januário. "Essa foi uma decisão da Federação de Futebol do Rio", disse. O encontro contou com os presidentes dos oito clubes participantes.
Com a punição ao Vasco, o Santos terminou em primeiro lugar do Grupo 1.
Apesar disso terá de fazer o primeiro jogo contra o Botafogo no Morumbi, domingo, às 18h30, enquanto Vasco e São Paulo estarão jogando simultaneamente no Maracanã. Os jogos de volta das semifinais serão na quarta-feira, às 21h40, com o mando invertido.


