Rio, 12 (AE) - O atacante Edmundo, do Vasco, foi afastado do time por não ter acatado a ordem de se concentrar para o jogo de domingo, com o Vitória, em Salvador. Ele discutiu asperamente com o vice-presidente de Futebol do clube, Eurico Miranda, e deve ficar dez dias fora da equipe. A decisão do dirigente teve repercussão negativa no elenco e o técnico Antônio Lopes teme que a crise possa beneficiar o Vitória.
Para o meia Juninho, não é possível saber como cada jogador do Vasco vai reagir em campo à ausência de Edmundo. "Não sei como isso vai pesar na cabeça dos jogadores", disse. O lateral Felipe, amigo de Edmundo, deixou claro que o desfalque vai fazer falta do time. "Fiquei chateado e ainda não conversei com ele sobre o assunto", declarou. Mais cauteloso, o zagueiro Mauro Galvão preferiu minimizar o fato. "Cabe a nós esquecer o caso e pensar apenas na partida contra o Vitória." O desentendimento entre Eurico e Edmundo ocorreu após o jogo de quarta-feira, contra o Botafogo-SP, ainda no vestiário de São Januário.
A punição, no entanto, só foi anunciada por Eurico no final da noite de quinta-feira, depois de aguardar em vão uma justificativa de Edmundo para sua ausência no treino de ontem.
O vice-presidente do Vasco admitiu que a pena de Edmundo poderia ser reduzida ou ampliada, dependendo de sua reação - Eurico exigia um pedido de desculpas do jogador. Foi o dirigente quem mais protegeu Edmundo no início de outubro, quando o atleta fora preso por um dia, condenado por ter causado um acidente de automóvel no Rio, em dezembro de 1995, no qual morreram três pessoas e outras três ficaram feridas.
Após o episódio, Eurico proibiu a entrada em São Januário de repórteres de alguns jornais cariocas, a quem acusou de terem denegrido a imagem de Edmundo. O dirigente, deputado federal pelo PPB-RJ, passou até a ignorar liminares que deveriam garantir a presença dos jornalistas no estádio, em dias de jogos e de treinos.

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