O Vasco superou os rivais que apareceram pela frente com os dribles de Felipe e Ramon para chegar à final do Torneio Rio-São Paulo. Já o Santos fez seu caminho cometendo faltas - pelas estatísticas, em geral, o time mais faltoso é o vencedor da partida. E, agora, os finalistas prometem deixar de lado seus trunfos para chegar ao título, que começa a ser disputado às 18h30 de hoje, no Maracanã.
A mudança no estilo de jogo da equipe carioca se deve à violência santista na competição. Segundo o Datafolha, o drible foi a principal vantagem do time carioca no campeonato. De acordo com a pesquisa, o Vasco faz 35 tentativas por jogo, quando a média geral é de 26 dribles. ‘‘Como o time do Santos tem um estilo muito forte, os jogadores vão ter que se movimentar e tocar rápido a bola para fugir das faltas’’, afirmou o técnico do Vasco, Antônio Lopes.
O Santos comete 35 faltas por partida (a média geral é de 25). Além disso, o time já teve seis jogadores expulsos, mas foi beneficiado pelo regulamento da competição, que não prevê suspensão automática. Só o atacante Alessandro foi expulso duas vezes.
Na primeira partida entre os dois clubes na competição, o atacante Donizete, um dos destaques do Vasco, teve de ser substituído após se contundir em um lance com o volante Marcos Assunção. A preocupação com a violência é tanta no Vasco que o vice-presidente de futebol do clube, Eurico Miranda, até ameaçou entrar na Justiça comum caso um dos seus jogadores sofra alguma contusão grave na partida. Disse que entrará com uma ação também contra o árbitro, se ele for conivente com a violência.
Por seu lado, os jogadores do Santos minimizaram as declarações do dirigente vascaíno Eurico Miranda. E negam acreditar que foi estabelecido um ‘‘clima de guerra para o jogo de hoje.‘‘Isso tudo é balela’’, afirmou o zagueiro Argel, alvo preferido dos ataques de Miranda. ‘‘Eu quero que me mostrem fatos. Estou há um ano e dois meses no Santos e fui expulso apenas uma vez e ninguém está aí sem jogar por culpa minha’’, afirmou.
O técnico Leão disse simplesmente que não comentaria opinião de quem quer que fosse sobre a possível ‘‘violência santista’’, por achar que a alegação não se justifica e por ter sido já bastante debatida. ‘‘Essa história está desgastada. Para mim, não existe’’, afirmou. Ele comentou, no entanto, outras declarações de Eurico Miranda, como a afirmação de que foi dispensado do Vasco pelo dirigente em 1980. ‘‘Nessa época, o Eurico não passava de um coadjuvante no Vasco’’, afirmou. Leão afirmou também que para arrancar sua juba ‘‘é preciso muita coragem’’. Provocador, Miranda havia afirmado que Leão sem a juba era um gatinho e miava.


FICHA TÉCNICA

mockup