Graças a Romário e aos dois Juninhos, o Vasco conquistou seu quarto título brasileiro ao superar ontem o São Caetano por 3 a 1, num Maracanã degramado irregular, em que montes de areia foram tingidos de verde para tapar buracos.
Juninho Pernambucano aos 29 minutos do primeiro tempo e Jorginho Paulista aos 39 da mesma etapa. Romário fez um belo gol, aos 7 minutos da etapa complementar. Adãozinho descontou para o São Caetano aos 36 do primeiro tempo. Foi a primeira e talvez a última edição desta competição, que se apresentou polêmica desde sua concepção.
À equipe do ABC não restou apenas alçar o nome de seu atacante Adhemar ao rol dos principais artilheiros do Brasil. A verdade é outra: o São Caetano agigantou-se diante de tantas adversidades. Superou a pressão psicológica de ter seis jogadores submetidos a julgamento na véspera da primeira partida da decisão.
No jogo seguinte, teve que continuar em campo após o desabamento de parte do alambrado de São Januário, acabou salvo pelo gongo das autoridades do Rio, que determinaram a suspensão daquela partida – a pressão vascaína, sem alambrado, seria muito maior. Poderia então ter sido proclamado campeão, como previa a legislação esportiva. Isso não ocorreu.
Marcado um novo jogo, o Azulão teve de fazer malabarismos a fim de agrupar os principais atletas, negociados para outros clubes. Por tudo isso e mais ainda, por ter devolvido ao futebol brasileiro a magia e os gols, desprovido da covardia e da timidez dos esquemas defensivos - uma praga no futebol do País depois da era Telê Santana –, o São Caetano voltou ontem para casa vice-campeão, mas vitorioso.
Poderia também ter vencido em campo se não esbarrasse na eficiência e talento dos três melhores jogadores do Vasco e, possivelmente, do Brasil. O São Caetano atacava, como sempre fez, e de certa forma exagerava nos chutes de fora da área. Dava espaços para os contra-ataques.
Num deles, aos 29 minutos do primeiro tempo, Juninho Paulista tocou a bola para Romário, que a escorou, com classe, para o outro Juninho finalizar de forma implacável: 1 a 0.
Coube a Adãozinho arriscar um chute de longa distância, logo em seguida, para empatar a partida. Mas prevalecia a maior categoria e técnica dos jogadores do Vasco. Isso ficou evidente aos 39, após uma troca de passes entre Romário e Juninho Paulista e a conclusão certeira de Jorginho Paulista.
Faltava um gol de Romário e ele, aos 7 minutos da etapa final, conseguiu livrar-se de Serginho e chutou forte, rasteiro, para impedir qualquer reação do adversário.
Faltou certamente ao São Caetano ritmo de jogo e preparo físico. Os que mais brilharam ao longo da competição, Adhemar, César e Claudecir, não renderam o esperado.

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