Vasco curte daqui seu Sporting
Quem também não consegue se desligar do seu clube do coração é o português naturalizado brasileiro Vasco de Almeida Martins, gerente comercial de um fábrica de móveis em Londrina. Torcedor do Sporting desde os nove anos, quando mudou-se da cidade-natal Viseu (região da Beira-Alta) para a capital Lisboa, Vasco vive no Brasil metade da sua existência de 65 anos. Veio ao País em maio de 1966 apenas para um passeio - e acabou ficando. Vim para passar uns tempos aqui. Tinha contrato de trabalho com uma construtora de estradas e ficaria apenas um mês. Só que estou aqui até hoje, afirma ele. País igual ao Brasil não tem no mundo. Só falta um pouco de vergonha na cara e trabalho, justifica a escolha.
Inicialmente, Vasco passou um mês no Rio de Janeiro e outro em São Paulo. Na capital paulista ouviu falar sobre o boom desenvolvimentista que pairava sobre Londrina e decidiu arriscar a sorte no Norte do Paraná. Ouvi dizer que a cidade era nova e tinha um grande futuro e vim parar aqui em julho. Três anos mais tarde, conheceu Myrna, com quem se casou e teve dois filhos: Vasco Júnior e Monalisa.
Aqui trabalhou em vários ramos, até foi dono de restaurante no Iate Clube (1966/67) e no Canadá (1970/72). Fincou raízes na cidade de tal forma que acabou sendo o inventor do futebol suíço e o incentivador da prática do remo, ambos no Iate Clube. Em breve pretende lançar um livro contando a história e as regras do futebol suíço em parceria com o professor Ariobaldo Frisseli, o Dedé.
Desde sua vinda ao Brasil, Vasco recebe os jornais A Bola, O Record e o Jornal do Sporting. É daí que mata sua sede por informações sobre o clube do coração. Nunca fiquei afastado do Sporting. Pelo menos um vez por mês recebia os jornais, conta. Ele sente falta de jogos do futebol português na TV. Infelizmente, aqui em Londrina as TVs só mostram o futebol alemão, o espanhol e o italiano.
A atual fase do clube de Lisboa também não o anima. O Sporting hoje é o Corinthians do passado, compara. Faz tempo que não ganha nada. Quem dá as cartas, agora, é o Porto. Bato palmas pra eles, porque pelo menos o Benfica também não é campeão, conta, vibrando pelo rival do Sporting também estar por baixo.
A rivalidade entre Sporting, apelidado de leão, e Benfica, cujo apelido é lampião, marcou a juventude de Vasco. Entre 1951/52 ele jogou como lateral-direito e zagueiro central do Sporting. Antes disso, porém, foi convencido por um amigo e treinou alguns dias no rival Benfica. O episódio seria marcante mais adiante, quando Vasco, defendendo o Sporting, cometeu um pênalti na derrota de 1 a 0 para o Belenenses, resultado que deu o título juvenil para o Benfica.
Terminado o jogo, Décio, companheiro de time, chegou-se a ele e disse: Falas, agora, se não és lampião (Benfica). O sangue subiu à cabeça de Vasco, que agrediu o companheiro. Como resultado, acabou expulso da equipe.
Depois de frustrada a sequência da carreira no Sporting, Vasco jogou como amador - além de jogar, também trabalhava - em clubes da terceira e segunda divisões de Portugal. Atuou ainda em Luxemburgo e na Bélgica.
Hoje ele ainda guarda na memória fragmentos da época de ouro do Sporting, nas décadas de 50 e 60. O Sporting tinha o ataque formado por Jesus Correia, Vasquez, Peyroteu, Travassos e Albano. Eles eram conhecidos como os cinco violinos porque jogavam por música. O Benfica tinha os cinco diabos vermelhos com Corona, Arsenio, Águas, Rogério e Rosário, relembra.
Ainda em Portugal, Vasco encontrou outras duas paixões no futebol. Sou santista desde os tempos do Pelé. Em 1963, morava em Luxemburgo, e fui torcer para o Santos na decisão do Mundial Interclubes contra o Benfica, em Lisboa. O Santos venceu por 5 a 2, com três gols do Pelé, conta. Bem, também sou Vasco da Gama. Afinal, eu já nasci Vasco, brinca.Dorico da SilvaCoração portuguêsVasco de Almeida Martins: Nunca fiquei afastado do SportingClaudemir Scalone





