Várzea ou futebol com estilo? Eis a questão
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segunda-feira, 16 de julho de 2001
Agência FolhaDe Cáli, Colômbia 
O dilema entre o futebol de várzea pregado pelo técnico Luiz Felipe Scolari e o estilo brasileiro, apresentado pela seleção nos minutos finais do jogo contra o Peru, divide os jogadores antes da partida decisiva contra o Paraguai, amanhã à noite, no Estádio Pascual Guerrero, em Cáli. Com três pontos na Copa América, o Brasil precisa apenas empatar para garantir a classificação para a segunda fase do torneio.
Depois da vitória contra os peruanos, por 2 a 0, os jogadores estão divergindo em relação à forma de atuar contra os paraguaios.
O Brasil sempre conquistou os seus títulos jogando ofensivamente, com ginga. Não podemos abandoná-lo, disse o meia-atacante Denílson, autor do segundo gol da seleção e um dos responsáveis pela melhora da equipe no final da partida.
O jogador do Betis, da Espanha, é favorável a uma formação mais ofensiva contra o Paraguai. Depois da vitória, vamos ter mais confiança para jogar. Agora, não vamos mais a campo esperando um empate, disse Denílson, entrando em conflito com o esquema adotado por Scolari na última partida.
Antes do jogo com o Peru, o técnico da seleção, que escalou um time defensivista, declarou várias vezes que o empate seria um bom resultado. Pressionado pelo jejum de seis partidas sem vitória, Scolari adotou o futebol de várzea na seleção antes da partida de domingo. Ele cogitou escalar 215 jogadores atrás para não perder.
O meia Juninho Paulista também é outro jogador contrário ao futebol de várzea. A Seleção não pode entrar em campo pensando em empatar. Temos que ter atenção defensiva, mas, quando tivermos a bola, vamos buscar o resultado com a ofensividade e a qualidade do Brasil, disse o meia do Vasco, outro que entrou no segundo tempo contra o Peru.
Na partida de domingo, a seleção teve uma atuação irregular. O time começou bem. Logo após marcar o primeiro gol, aos 10 minutos do primeiro tempo, a equipe recuou e foi vaiada várias vezes pelos torcedores colombianos. O time só voltou a jogar bem nos 20 minutos finais, quando o Peru estava com dez em campo o zagueiro Salazar foi expulso aos 22 minutos da segunda etapa. A partir daí, a seleção, com Denílson e Juninho Paulista, jogou mais ofensivamente e desperdiçou várias chances.
O volante Emerson, capitão do time e jogador de confiança de Scolari, defendeu o futebol de resultados adotado pelo técnico. Quase todos os jogadores que atuaram no time titular na última partida defendem a retranca armada pelo técnico da seleção. É cedo para a gente mudar o estilo. Prefiro jogar mal, mas sempre ganhar, afirmou o volante da Roma, da Itália.


