Varejão curte bom momento e chance de ir longe na NBA
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sábado, 20 de março de 2010
Valéria Zukeran<br> Agência Estado 
São Paulo - A contusão do pivô Shaquille O'Neal, que foi submetido a uma cirurgia no polegar a mão direita, foi uma má notícia para o time do Cleveland Cavaliers. Porém, pode se tornar uma grande oportunidade para o pivô brasileiro Anderson Varejão na NBA.
Como Shaq não se recupera até o fim da temporada regular, caberá ao jogador e a outros pivôs da equipe de Ohio manter a boa campanha da equipe na temporada - o time foi o primeiro a garantir lugar nos playoffs. Por e-mail, Varejão falou sobre o assunto.
Agência Estado - Qual o impacto da contusão de Shaquille O'Neal em termos táticos e moral no Cleveland?
Anderson Varejão - É um desfalque importante na nossa equipe. Shaq é diferenciado, um pivô que trabalha como poucos no garrafão e que faz o Cleveland jogar uma maneira com ele e outra sem ele. Temos conseguido manter o bom nível de jogo porque o time tem um bom banco e espero que ele retorne o mais breve possível, pois é um jogador que faz muita falta e que será fundamental nos playoffs.
AE - Após a confirmação da cirurgia de Shaq, as agências de notícias anunciaram você como o substituto, mas no primeiro jogo você atuou apenas 17 minutos. O técnico Mike Brown adiantou como ele vai gerenciar o time até o fim da temporada regular?
Varejão - Isso é uma opção do Mike Brown. E a estratégia de jogo do time pode variar de acordo com o adversário. No nosso grupo não há problemas de vaidade, de disputa por posição, embora todos queiram jogar sempre mais, claro, mas isso é bem administrado por ele e facilitado por termos um time que se dá bem. Fico feliz de estar entrando e ajudando o time, aproveitando bem o meu tempo em quadra. E quero sempre mais, jogar mais, evoluir e ser cada vez mais útil. Temos um compromisso com o Cleveland, com a equipe e com as vitórias, e o bom ambiente não muda com a ausência do Shaq.
AE - Os estilos são diferentes, mas a convivência com Shaq trouxe alguma experiência nova?
Varejão - Sim, com certeza, a presença dele é uma troca de experiências constante. Shaq é um fora-de-série, um jogador vencedor, que foi campeão por onde passou, e que ajuda o ambiente do grupo a ficar ainda melhor, porque é uma pessoa divertida e um atleta muito profissional. Ele fez bem ao nosso time, chegou e se adaptou rápido, se integrou fácil no nosso grupo e ao sistema de jogo do Cleveland. Eu já o conhecia de jogar contra mas, definitivamente, tê-lo ao mesmo lado é muito melhor.
AE - Você costuma ser chamado regularmente para promoções publicitárias. Já se acostumou com o fato ou ainda bate timidez ou insegurança?
Varejão - Sim, gosto disso, e estou sempre pronto para ajudar. Na NBA você não pode ser tímido, se for, a timidez acaba logo porque a liga promove muitas ações e as próprias equipes possuem um calendário de eventos, principalmente no lado beneficente. Estou sempre envolvido, não porque há uma exigência, mas porque me faz bem, me sinto bem, sei o quanto isso é importante.
AE - Dá tempo de pensar em seleção? Por exemplo, quando você enfrenta argentinos procura se informar sobre Ruben Magnano? Já conversa com outros atletas norte-americanos sobre o encontro no Mundial (o Brasil vai enfrentar os Estados Unidos)?
Varejão - Ainda não. Na verdade, só consigo pensar em seleção quando vou me apresentar porque o ritmo aqui é muito intenso, tudo é muito corrido, puxado, jogos seguidos, viagens, não dá para pensar em outra coisa senão em treinar, viajar e jogar. Conhecia o Magnano pelo histórico dele, pelo que ele fez com a seleção argentina, e foi bom termos conversado, foi legal ele ter vindo até aqui para batermos um papo, e foi uma boa conversa, ele está muito animado e fechado com os mesmos objetivos do nosso grupo: fazer um bom papel no Mundial e buscar a vaga para as Olimpíadas de Londres. Disse a ele que estou à disposição.


