VAR da discórdia: discussão toda semana
Alimentamos os mesmos porquês sem evolução na discussão e nem planejamento de um futuro com resultados diferentes
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de outubro de 2025
Alimentamos os mesmos porquês sem evolução na discussão e nem planejamento de um futuro com resultados diferentes
Julio Oliveira 

Mais uma rodada do Brasileirão com lances polêmicos, daqueles que alimentam mais que a segunda-feira e vão ser discussão por toda a semana. Das interpretações claras às duvidosas. O futebol se alimenta de polêmica? Não sou desse time. Penso que o futebol deveria se nutrir de bons jogos, desafios táticos, jogadas espetaculares e confrontos emocionantes.
A arbitragem volta à cena sem nunca ter saído das manchetes. Seguimos na tese de que a culpa é do “juiz” que decidiu a partida, que é mal preparado e não é profissional. Alimentamos os mesmos porquês sem evolução na discussão e nem planejamento de um futuro com resultados diferentes. Não temos mais o melhor futebol do mundo. Não temos a melhor arbitragem do mundo, mas insistimos que aqui se joga o campeonato mais disputado do planeta. Em que sentido?
O VAR veio para somar, mas tem mais dividido do que aglutinado resultados satisfatórios. Era para ser o diferencial nas injustiças e se tornou o criador delas. Se o VAR chama não devia ter interferido, se não chama há indignação. Em campo, jogadores que não conhecem a regra, profetizam o tempo todo “vai olhar no VAR”, como se o árbitro fosse obrigado a apitar na base do monitor. Pressionam porque querem vencer a qualquer custo num futebol cheio de vícios, em que a malandragem é regra perpétua.
Somos condicionados a assimilar melhor o elogio do que a crítica, e naturalmente o erro nos desequilibra. É preciso muita experiência para separar essa pressão quando dentro de uma atividade. Quando o árbitro é chamado ao VAR, sabe que há algo a revisar e a possibilidade do erro cometido já o pressiona mentalmente de forma a corrigi-lo. E do outro lado, mais precisamente numa cabine à distância, outro árbitro enxergando mais do que precisa. E a confusão feita.
A Premier League definiu seu protocolo de VAR. E ponto. E tá funcionando. Num esporte de interpretação, é muita gente tendo poder de interferência para definir o que é ou não é. E quanto mais pessoas interferindo, mais interpretações díspares teremos. E mais reclamações.


