São Paulo - A destreza de Romário o torna quase ''imarcável''. Com componente fatal para o adversário que esteja atuando na defesa: o ''Baixinho'' é bom com os dois pés. Pode até dizer que chuta com o pé direito, mas Turíbio garante que com o pé esquerdo dele é muito superior ao do atacante comum. ''O Romário não escolhe pé para chutar o que também o diferencia. Não faz força para chutar com a esquerda, porque é natural para ele. Não pára o movimento. Não é aquele atacante que tem de parar e trocar de pé. Por isso é tão difícil marcá-lo.''
Romário diz que come e escreve com a mão esquerda, chuta com o pé direito, dá saque no tênis com a esquerda e passa a raquete para a mão direita... e soco, dá com as duas. Tem, portanto, ''mais facilidade'' de confundir o adversário.
O neuropediatra Salomão Schwartzman assinala o quanto pode ser vantajoso, no caso do atleta, ser canhoto: ''Na humanidade em geral, em todos os países e em todos os tempos, a predominância é de destros em 85%.'' Assim, o defensor, no esporte, está condicionado a esperar muito mais as ações ''destras'' por parte do atacante.
O médico lembra que os termos destro, canhoto e ambidestro são usados para as mãos. Se informalmente, passaram para os pés, o médico explica: se o indivíduo usa mais a mão direita, não necessariamente chuta com o pé direito, nem o olho predominante é o direito. E dificilmente o indivíduo é ''100%'' destro ou canhoto. Algumas ações são feitas com a mão contrária. De toda forma, ter habilidade para chutar com os dois pés mesmo considerando-se que ele mesmo se acha ''destro'' no pé é uma vantagem imensa para o atacante. O defensor não pode se preparar para esperar o chute de Romário nem do lado direito (como seria em 85% dos casos), nem do esquerdo (nos outros 15%). Qualquer ação pode ser totalmente inesperada. (D.M./A.E.)

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