No último dia 29 de agosto completaram-se dez anos que o ex-maratonista paranaense Vanderlei Cordeiro de Lima ganhou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atenas. Mas a conquista acabou ofuscada pelo "encontrão" que levou do ex-padre irlandês Cornelius Horan, que o tirou a possibilidade de brigar pelo ouro, em uma cena que até hoje é lembrada no mundo inteiro.
O ex-maratonista liderava a prova com mais de 40 segundos de vantagem quando, no quilômetro 36, Horan invadiu a pista e o empurrou para a calçada. Auxiliado pelo grego Polyvios Kossivas, o atleta ainda conseguiu voltar à prova, mas acabou ultrapassado pelo italiano Stefano Baldini e pelo americano Mebrahtom Keflezighi. Além do bronze, Vanderlei recebeu dias depois a medalha Barão de Coubertin, honraria do Comitê Olímpico Internacional (COI) aos atletas que são exemplos do espírito esportivo. Até hoje, somente 17 esportistas no mundo todo detêm tal privilégio.
O episódio fez do atleta nascido em Cruzeiro do Oeste (Noroeste) um verdadeiro herói nacional. Por onde passa, ele é sempre ovacionado. Foi assim na coletiva de abertura dos Jogos Escolares da Juventude (do qual ele é embaixador), em Londrina, na última quinta-feira. "Acho que foi uma maneira que Deus encontrou para me fazer mais valorizado. Costumo brincar que fiquei conhecido como o Vanderlei do padre e não do bronze", diz. "Mas são momentos alegres, de reconhecimento. Mesmo tendo encerrado minha carreira em 2008, hoje ainda estou vinculado ao meio esportivo nacional, o que é um orgulho grande. Nunca imaginei, dez anos depois, ter um reconhecimento tão grande pela conquista. Fico muito feliz, olhando para trás vejo que valeu toda minha dedicação ao esporte", falou o ex-maratonista de 45 anos.
E para quem ainda acha que ele nutre algum tipo de rancor do ex-padre, Vanderlei garante: "Na verdade, não tenho ressentimento nenhum. Nem logo após o término, nem com o passar do tempo, não ficou nenhuma mágoa. Claro que foi um fato inusitado, que mudou todo o resultado da prova, mas para mim o mais relevante daquele dia até hoje é a conquista da medalha, uma coisa que todo atleta sonha. Meu papel foi feito, dentro das minhas condições do momento, consegui me superar e atingir o grande objetivo, que era conquistar a medalha. Me sinto realizado", conta o ex-atleta.
Meses depois, o governo irlandês mandou um pedido oficial de desculpas ao brasileiro. Por outro lado, a organização dos Jogos de Atenas nunca o procurou para fazer o mesmo.
Mesmo sem rancor, Vanderlei se emociona sempre que lembra do episódio. Segundo ele, por tudo que viveu antes da disputa dos Jogos em Atenas. Em janeiro daquele ano, o ex-maratonista superou uma fratura de clavícula sofrida em um acidente de moto e teve que se superar para garantir índice mesmo sem estar 100% fisicamente. "Passamos por momentos difíceis, que quem está fora não sabe. Por isso que procuro ver sempre por esse lado. A grandeza da conquista de uma medalha é maior que a decepção de não ter ganho", ressalta.
O paranaense encerrou a carreira no final de 2008. Desde então, ele se dedica ao Instituto Vanderlei Cordeiro, fundado um ano antes da aposentadoria em Campinas (SP), e que também possui um núcleo em Campo Mourão.

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