O paranaense Vanderlei Cordeiro de Lima, 31 anos, disputa na madrugada deste domingo a maratona dos Jogos de Sydney, prova que encerra a última Olimpíada do milênio. Ao lado dele, mais dois brasileiros: Éder Moreno Fialho, 27, e Osmiro Souza e Silva, 39. A prova acontece às 2 horas da manhã (horário de Brasília).
‘‘Já estou contando as horas. Este dia vai ser muito importante para mim. Quero testar os meus limites e ver até onde posso chegar’’, diz Vanderlei, que na Olimpíada de Atlanta (96) não teve um bom resultado por causa de bolhas no pé causadas por um tênis novo. ‘‘Desta vez vou usar o mesmo tênis; agora já estou acostumado’’, revela o atleta.
A única preocupação de Vanderlei – paranaense de Cruzeiro do Oeste – é uma lesão no pé, por excesso de treinamento. ‘‘Só se machuca quem treina. Estava treinando bem e forte, com expectativa e vontade de fazer uma boa prova e acabei passando do limite.’’
O atleta está com uma lesão no ligamento da articulação do pé esquerdo, o mesmo pé que estava machucado nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg (Canadá), quando conquistou a medalha de ouro. ‘‘Não posso esperar o mesmo resultado do Pan aqui, pois Olimpíada é muito diferente. Aqui estão os melhores do mundo. Os quenianos, africanos, japoneses e portugueses são muito bons.’’
Apesar de conhecer bem os outros atletas, Vanderlei prefere dizer que não existem favoritos. ‘‘O meu maior adversário vou ser eu mesmo. Vou ter que conseguir superar os meus limites, a dor e as dificuldades que estou passando. A Olimpíada é uma caixinha de surpresa. O mundo pode se surpreender com o resultado aqui em Sydney’’, ele avisa.
Vanderlei é o único atleta da América do Sul com quatro resultados em maratona abaixo de 2h09min (2h08min31 - Tóquio, 98; 2h08min34 - Rotterdam, 00; 2h08min38 - Tóquio, 96; 2h08min40 - Fukuoka, 99).
Éder Fialho, medalha de bronze no Pan de Winnipeg, prefere não pensar que está em uma Olimpíada. ‘‘Estou tentando pensar que estou em uma maratona qualquer, como aquela de Chicago que disputei no ano passado e corri bem. Tem muita gente que entra na prova pensando e bota uma responsabilidade muito grande em cima dele mesmo e só acaba atrapalhando.’’
Volta ao ninho – Confirmado: depois da Olimpíada, Vanderlei Cordeiro de Lima volta para casa. Treinando há 10 anos pela equipe Funilense, de São Caetano (SP), a reclamação do atleta sempre foi a de não poder treinar no seu Estado.
Mas a saudade de casa falou mais alto e o atleta resolveu que voltaria de qualquer jeito. O local escolhido é Maringá, onde moram seus irmãos. ‘‘O bom é que Maringá tem uma pista maravilhosa. Vou poder fazer os meus treinamentos lá.’’
Na verdade, o atleta vai é viver na ponte-aérea. Durante as competições vai ficar em Campinas, perto do seu treinador Ricardo D’Angelo e em outro período vai realizar treinamentos em Campos do Jordão (SP), onde a altitude é maior.
O que o atleta quer, na verdade, é ficar mais próximo de sua mãe, dona Aurora, que mora em Cruzeiro do Oeste. Seu pai, seu José, faleceu em abril e, desde então, sua mãe está sozinha. ‘‘Quero ficar mais perto. Dar mais assistência. Por isso encontrei um lugar que tivesse uma boa estrutura para o treinamento e que não fosse muito longe de Cruzeiro do Oeste. Maringá é perfeito por isso.’’

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