Vanda, um sinônimo de vitórias no futsal
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de dezembro de 2006
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
O futsal feminino de Londrina é respeitado em todo País pelo trabalho de formação de atletas e pela coleção de títulos em todas suas categorias. E, uma pessoa em especial é a responsável por esse reconhecimento, que aumenta no mesmo compasso em que a equipe local coleciona conquistas. A técnica Vanda Cristina Sanches sempre lutou para transformar o futsal feminino em um desporto profissional. No início, enfrentava sozinha as dificuldades para manter um time competitivo. Hoje, conta com uma estrutura que lhe permite sonhar com um futuro promissor para a modalidade e para o time da Unopar/Londrina/Grêmio/Sercomtel.
No final de semana, em Guarapuava, Vanda acrescentou mais um troféu à sua vasta coleção. Com uma campanha impecável, o time adulto da Unopar conquistou o 12º título da Taça Paraná, uma marca que dificilmente será alcançada por outra equipe.
Mas o trabalho continua e ela terá pouco tempo para comemorar. Amanhã, ela começa a enfrentar seu desafio mais difícil em 14 anos como técnica de futsal. A Unopar enfrenta o Chimarrão-RS, atual campeão, em Novo Hamburgo (RS), pelo primeiro jogo da semifinal da Liga Futsal Feminina, competição idealizada por ela e outros dois treinadores Éder Popiolski e Inês dos Santos. Apesar da dificuldade, a técnica está confiante em um triunfo. Nosso time está preparado para conquistar o título, garantiu.
Nessa entrevista, a técnica fala da família, da infância e adolescência em Martinópolis (SP), as primeiras competições, a experiência no handebol, as dificuldades e conquistas no futsal e sobre o futuro.
Família
A família de Vanda serviu como um espelho para que ela fosse apaixonada pelo esporte. Sua mãe, Maria Vanda, foi atleta da seleção paulista de basquete no final da década de 60. Seu pai, Hélio, também foi jogador de basquete e futebol de campo. Meu pai chegou a receber convites para jogar no Corinthians e no Flamengo, mas como era muito ligado à família, não aceitou, conta. Além dos pais, o irmão, Hélio, foi jogador do Londrina Esporte Clube. Atualmente, ele faz parte da comissão técnica da Unopar/Londrina.
Com tantos desportistas dentro de casa, Vanda sempre esteve ligada a várias modalidades. Tinha uma professora na escola, a Elba, que nos incentivava a praticar vários esportes. Eu gostava de jogar basquete, futebol. Sempre joguei futebol com meus irmãos e amigos. E nunca gostei de perder. Enquanto meu time não empatasse ou ganhasse, o jogo não acabava, recorda a técnica, que chegou a disputar algumas competições regionais de basquete no Estado de São Paulo.
Início
Vanda chegou a Londrina em 1982, quando passou no vestibular para o curso de educação física, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Foi nessa época que, por brincadeira, ela começou a jogar futsal, junto a algumas amigas. Eu sempre ia ao Palácio do Futsal assistir jogos dos homens. Junto a algumas amigas formamos um time e chegamos a disputar os Jogos de Inverno. Mas era algo apenas para o lazer.
A universidade, também, foi responsável pelo início de sua carreira como técnica. Na UEL, Vanda conheceu o professor e técnico de handebol, Elói Zamberlan, que a convidou para ser sua auxiliar no time de Cambé. Era o primeiro passo para a carreira. O Elói me influenciou no aspecto do treinamento, no planejamento, disse. Conquistamos inúmeros títulos e cheguei, inclusive, à seleção brasileira.
Vanda permaneceu como auxiliar-técnica de Elói de 1987 a 1994. Depois disso, ela assumiu como técnica e permaneceu até 2000.
Futsal
Mesmo fazendo parte da comissão técnica da equipe de handebol de Cambé, Vanda decidiu se dedicar a sua outra paixão, o futsal. Em 1992, ela foi convidada pelo técnico Nelson Zaninelli a integrar como jogadora a equipe londrinense que disputaria o primeiro Campeonato Paranaense da modalidade. O torneio foi realizado em Londrina e a equipe da casa terminou como vice-campeã, perdendo na final para Sarandi, que tinha, entre outras, a ala Jayne, maior vencedora da competição, com 13 títulos.
O vice-campeonato não chegou a ser decepcionante, já que o time de Londrina foi formado para aquela competição. Mas Vanda sentiu que poderia render muito mais do lado de fora da quadra. Por isso, a partir de 1993, ela passou a ser a treinadora do time de futsal londrinense. Sempre gostei de desafios. Eu vi no futsal uma oportunidade de crescimento, afirma.
Para fortalecer o time, ela contratou cinco jogadoras do time de Sarandi. Era algo bem amador. Treinávamos três vezes por semana porque algumas meninas trabalhavam e outras estudavam. Mesmo assim, já fazíamos taticamente algo diferente de outras equipes.
Era o início de uma hegemonia dentro do futsal paranaense. De 1993 a 1999, Londrina foi campeã estadual de forma consecutiva. Em 2000, o time passou por uma reformulação e, pela primeira vez em sete anos, a equipe não conquistou o título. No ano seguinte, começou o trabalho com as equipes de base, comandadas por Jayne Borim. A partir de 2002, o futsal passou a receber verba da Fundação de Esportes (FEL), o que propiciou uma melhora em toda estrutura.
No começo, batalhei muito sozinha. Tinha apenas um apoio estrutural do Grêmio (Recreativo e Literário). Não havia recursos. Com o apoio do município, da Unopar e da Sercomtel (a partir de 2004), consegui melhorar muitas coisas e os resultados foram ainda melhores, ressaltou.
Seleção
As pessoas que conhecem e convivem com Vanda sabem que ela sempre lutou muito para o crescimento do futsal feminino. Não apenas em Londrina. Se hoje existe uma seleção feminina no Brasil, muito se deve à treinadora. A primeira seleção feminina de futsal foi formada em 2001, por incentivo de Vanda, que conseguiu apoio do município para a realização de amistosos contra a seleção do Paraguai. Na ocasião, ela atuou como supervisora.
Depois de uma lacuna de quatro anos, em 2005, a seleção voltou a jogar amistosamente em Londrina, dessa vez, contra a Espanha, dentro da preparação para a disputa do Sul-Americano, que foi disputado em Barueri (SP) e vencido pelas brasileiras. Atendendo convite da técnica Maria Cristina, Vanda atuou como auxiliar-técnica. Ela adianta que não está descartada a realização de um Mundial feminino, em 2008, junto ao masculino, que será realizado no Brasil.
Vanda garante que não tem pretensões de assumir a seleção brasileira. A direção da Confederação (Brasileira de Futsal) disse que eu não tenho o perfil para ser a técnica da seleção, por causa de meu comportamento (muito explosivo). Mas não descarto aceitar um convite futuro, antecipou.
Vanda não concorda, porém, com o fato da CBFS ter escolhido um técnico que trabalha no futsal masculino, Marcos Sorato, o Pipoca, para comandar as meninas da seleção. Considero um desprestígio aos técnicos que trabalham com o futsal feminino.
Além da contribuição para a seleção feminina, Vanda teve papel fundamental na criação da Liga Futsal Feminina. No Brasileiro de Seleções de 2002, eu e outros técnicos discutimos a importância de se criar uma liga. Passaram-se dois anos até que em 2005 conseguimos colocar a idéia em prática. O projeto foi elaborado por mim e pelo Éder Popiolski, de Santa Catarina, frisou. O lançamento da primeira Liga Futsal, inclusive, foi em Londrina.
Futuro
Vanda tem muitos sonhos para concretizar dentro do futsal feminino. O primeiro deles está próximo: ser campeã da Liga Futsal. Ela sabe que não será fácil superar o adversário da semifinal o Chimarrão. É um time que joga junto há muito tempo. É uma equipe muita determinada. Mas nosso time está muito forte fisicamente e concentrado taticamente. Estamos pensando exclusivamente nesse título, garantiu.
Para 2007, a técnica pretende intensificar o trabalho com a equipe Sub-17 da Unopar, visando o título da Taça Brasil da categoria. Falando em Taça Brasil, esse também será o principal alvo do time adulto. Esse título falta para nós. Já fomos campeãs da Taça Brasil no Sub-15, Sub-17 e Sub-20. Agora, quero o adulto, completou. Em toda história da competição, a melhor colocação da Unopar foi o terceiro lugar conquistado em três oportunidades.
Se depender da determinação de Vanda, não é difícil imaginar que ela atingirá seus objetivos.


