Vamos ter que engolir
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domingo, 28 de junho de 2015
Almir Leite e Gonçalo Junior<br> Agência Estado 
Concepción Logo após a derrota do Brasil para o Paraguai nos pênaltis, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, ligou para o técnico Dunga e para o coordenador de seleções, Gilmar Rinaldi. Não foi uma chamada para cobrança ou reclamação diante da eliminação precoce na Copa América. Era o contrário. O presidente queria transmitir tranquilidade e confiança para a continuidade do trabalho. Dunga agradeceu e respondeu que era muito bom trabalhar com essa estabilidade de não ter a pressão da busca por resultados imediatos.
O treinador não chegou a estar ameaçado, mas ficou aliviado ao perceber que a entidade continua apostando em um trabalho de longo prazo. O Brasil caiu no primeiro jogo eliminatório após a Copa do Mundo e repetiu a história da Copa América 2011: perdeu para o Paraguai, na decisão por pênaltis, com um desempenho ruim nas cobranças. No último sábado, Douglas Costa e Éverton Ribeiro chutaram para fora. Em 2011, haviam sido quatro erros.
"O Dunga corre risco zero de ser demitido", afirmou Walter Feldman, secretário-geral da CBF. "A determinação do presidente é de poder absoluto para a comissão técnica".
Os números de Dunga são bons. Em 14 jogos, ele conquistou 12 vitórias e teve apenas duas derrotas. O futebol apresentado, no entanto, não convenceu. A equipe não fez nenhuma grande atuação na Copa América e parou no primeiro adversário "cascudo" que encontrou no torneio.
Sem Neymar, restam poucas opções de criatividade e talento. Pesaram no voto de confiança dado por Del Nero os desfalques da equipe, que prejudicaram a campanha. Além de Neymar, que foi suspenso, Luiz Gustavo, Danilo e Oscar se machucaram e não puderam disputar a Copa América.
O próximo desafio da seleção brasileira será nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, a partir de outubro. De acordo com a Conmebol, a tabela será conhecida no dia 25 de julho, em sorteio na cidade russa de São Petersburgo.
Feldman avaliou que a proposta de um trabalho de longo prazo não sofrerá alterações. "O Brasil tem poucos trabalhos a longo prazo. Não só no futebol, mas em diversas áreas. Isso é um problema", disse.


