'Vamos massificar o handebol em Londrina'
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domingo, 21 de dezembro de 2008
Jaime Kaster<br>Equipe da Folha 
Londrina - Há dez anos em Londrina, o técnico da Unopar/FEL/Sercomtel, Giancarlos Ramirez, levou o time local de handebol masculino ao topo do ranking nacional de clubes. Nos últimos cinco anos foram dois títulos da Liga Nacional e mais três vice-campeonatos. A última conquista foi no dia 13, quando bateu a Metodista/São Bernardo na final, em Londrina. O título encerrou uma temporada vitoriosa, com título também na Copa do Brasil, em junho. O desafio agora é espalhar o esporte pelas escolas para ter no futuro atletas formados em Londrina.
FOLHA - Desde quando você está na cidade?
Ramirez - Cheguei a Londrina em 1998, quando a Unifil iniciou o projeto de handebol e trouxe meus atletas para a montagem aqui de um time juvenil: Cláudio (armador central), Digo (goleiro), Nande e Ricão (pontas), que já jogavam comigo em Iporã, além do Mão de Onça (armador-esquerdo), que havia trabalhado comigo em Cianorte. Esse time juvenil (Sub-18) de Londrina foi vice-campeão brasileiro. Depois fomos campeões brasileiros júnior no ano seguinte.
Quando vocês disputaram a primeira Liga Nacional pela Unifil?
No ano 2000, com o time júnior. Em 2003 chegamos pela primeira vez a uma semifinal, e terminamos em 3º lugar. Depois, em 2004, chegamos pela primeira vez a uma final e daí não paramos mais. Fizemos as últimas cinco finais da Liga, com dois títulos e três vice-campeonatos. Com isso, Londrina tem hoje a melhor média de resultados do País no ranking de equipes.
Há exatamente um ano você tomava um grande susto, quando a Unifil anunciou o corte do patrocínio e a saída do projeto em definitivo. O que mudou agora com a Unopar?
Na época eu temi pelo fim da equipe e pela dispersão dos atletas. Mas a Unopar ajudou e hoje o resultado está aí. E para 2009 vamos manter esse elenco, com exceção do Pablo, que já voltou para a Argentina, porque não precisamos ter três armadores-esquerdos. Sobre a mudança para a Unopar, só mudou a localização do pólo de formação de atletas, que funcionava no (Colégio) Londrinense e agora é na Unopar (Jardim Piza).
Lá na Unopar ficou mais complicado?
No Centro ficava mais fácil para recebermos os destaques que surgiam nos bairros. E eram todos garotos da Zona Norte, onde temos cinco pólos do Projeto Futuro nas escolas e um projeto modelo no Colégio Estadual Olympia Tormenta. Neste ano, com a mudança do pólo central para a Unopar, dificultou para esses alunos da Zona Norte, que agora têm que pegar dois ônibus. Mesmo assim conseguimos manter três categorias treinando lá: os times juventude (Sub-17), cadete (Sub-16) e infantil (14/15 anos). Essas crianças do infantil, estamos pegando lá da região Sul mesmo. Já temos um grupo de 20 treinando com o Cláudio (armador do time adulto).
Como vocês pretendem trabalhar com a base?
Queremos manter os cinco pólos da Zona Norte e vamos abrir em 2009 quatro pólos na Zona Sul, nos colégios Albino Feijó, Paulo Freire, Margarida de Barros Lisboa e uma quarta no Jardim Piza, fazendo torneios entre as escolas. Só assim vamos ter bastante garotos jogando handebol para o futuro. Estou dando preferência a escolas que tenham desde o primário até a 8 série. Porque assim começaremos ensinando o mini-handebol a crianças de 3 e 4 série (o mini é com cinco jogadores em cada time e equipes mistas) e continuaremos com o handebol para os adolescentes de 5 e 6.
A meta é ir renovando a equipe adulta atual?
É um processo que vai resultar desse investimento na base. De três anos para cá, nos Jogos da Juventude, estamos com todos os atletas de Londrina. E fomos campeões em 2006 e vice em 2007 e 2008. As equipes cadete e infantil também já são quase 100% daqui. Às vezes completamos apenas com um canhoto, por exemplo. Estamos buscando seguir os passos de Maringá, que é um celeiro na formação. Eles têm uma quantidade grande de crianças treinando.
Quais os outros pólos de surgimento de atletas no Paraná?
Goioerê tem um trabalho muito antigo no handebol. Outro destaque é Francisco Alves, que não tem quantidade, mas tem uma qualidade muito boa no trabalho, pois a cidade só tem o handebol e investe nele. Francisco Alves tem as melhores equipes do Paraná abaixo de 17 anos (são os atuais bicampeões dos Jojup's).
Você falou de Maringá. Eles fazem o melhor trabalho de base no Estado?
Maringá tem uma tradição de 25 anos no handebol. Lá foram formados vários técnicos e inúmeros atletas de alto nível. Depois do Pinheiros (SP), o segundo clube mais tradicional no Brasil é Maringá. (Da Cidade Canção saíram jogadores como Tupan, que atua na Alemanha; Léo e Rick, da Unopar; Alê e Henrique Teixeira, da Metodista-SP; além de Jair, que parou de jogar).
Quando teremos times júnior e adulto formados só com atletas de Londrina?
Talvez dentro de uns quatro anos. Já estamos com três categorias de base bem estruturadas, e nosso time que disputou o Jojup's este ano (vice-campeão) vai disputar de novo a competição em 2009, mas como Sub-18, porque mudou o regulamento. Dessa forma passaremos a ter aqui uma equipe juvenil no ano que vem. E esses garotos já em 2010 poderão jogar o Campeonato Brasileiro Júnior (Sub-21). Ainda não tínhamos as categorias juvenil e júnior, como Maringá tem, porque sempre precisamos fazer um alto investimento no adulto. Agora mudamos essa sistemática e vamos investir pesado na base para massificar o handebol em Londrina para no futuro ter atletas quase só daqui.
Vocês sempre tiveram uma rivalidade saudável com Maringá. Como você viu a ausência deles na última Liga por falta de dinheiro?
Acho que a Confederação Brasileira (CBHb) tem que ajudar mais os clubes. A minha posição é que ela busque recursos da Lei Federal de Incentivo ao Esporte Amador e banque o transporte e a estadia dos times nos campeonatos. Além disso, tinha que dar uma ajuda de custo para os clubes que querem entrar na Liga, como forma de motivação. Afinal, temos uns 12 clubes no País com condições de disputar o campeonato. Temos aí Itapevi, São Carlos, Hebraica em São Paulo; Chapecó e Itajaí em Santa Catarina; Maringá, Cascavel e Goierê no Paraná, além de mais umas três equipes boas no Rio e em Minas Gerais. Se essas ações fossem tomadas, Maringá não teria mais problemas para jogar a Liga.


