Vamos correr por fora
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de julho de 2002
Lúcio Flávio Moura<br>Reportagem Local 
Aos 35 anos, Ivair Cenci, paranaense de Pérola DOeste, é um bem-sucedido no universo dos pequenos clubes do futebol paranaense. É treinador de futebol há apenas sete anos, mas se orgulha de ter um currículo vasto, cheio de conquistas de pouca expressão. Mas, ele não tem pressa. Gosta da sua ascensão discreta e gradual, que o faz cada vez mais seguro, segundo ele.
Aos 26 anos, viveu o drama do fim prematuro da carreira teve uma seqüência de graves contusões (fraturou a perna direita e operou os dois joelhos), lamenta o fato de não ter se cuidado quando era atleta e de ter aprontado muito fora do campo e de ter sido um jogador de temperamento explosivo.
Circula com uma possante caminhonete preta, veículo que combina com sua personalidade forte. É capaz de manter-se respeitado, mesmo depois de uma bronca ruidosa sobre seu mais indócil comandado. Por gostar de armar esquemas precavidos, com três zagueiros, por montar grupos coesos em torno do seu comando, é comparado a Luiz Felipe Scolari, o maldito que se transformou no mocinho do penta.
Evangélico, Cenci agradece a Deus muitas vezes quando fala. Se considera espiritualmente regenerado, mas está longe de ter a candura dos santos. Em qualquer observação menos atenta, deixa transparecer a força de um homem determinado. Foi capaz de indicar e trazer para o Londrina, oito jogadores titulares do seu ex-clube, o rival Grêmio de Maringá, sem ser criticado.
Foi em uma destas tardes de inverno, no remodelado estádio Vitorino Gonçalves Dias, que o treinador concedeu uma entrevista exclusiva à Folha. A seguir, o futebol segundo Ivair Cenci.
Futebol brasileiro depois do penta
Com o penta, voltamos a estar em alta. Nenhum país tem tantos craques como o nosso. Ainda somos os melhores. Somente a Argentina é um rival a altura, porque tem uma disciplina tática maior e tem mais garra. Mas, a ginga, só o futebol brasileiro tem.
Futebol brasileiro depois do penta
''Com o penta, voltamos a estar em alta. Nenhum país tem tantos craques como o nosso. Ainda somos os melhores. Somente a Argentina é um rival a altura, porque tem uma disciplina tática maior e tem mais garra. Mas, a ginga, só o futebol brasileiro tem''.
O fator surpresa
''Temos que ser realistas. Em virtude dos problemas financeiros, definimos mesclar uma base do Londrina com a do Grêmio. Os jogadores só são conhecidos na região. Correndo por fora, humildemente, montamos um time para não cair, com folha salarial baixa. Mas se o time for determinado, encarar cada jogo como uma decisão poderemos surpreender.''
A caminhada no campeonato
''O tempo de preparação é curto. Acredito que cresceremos durante a competição, até porque teremos nas quatro primeiras rodadas os adversários mais difíceis. Mas aposto na ambição dos jogadores em dar um passo à frente na carreira. Nós temos um sonho e um plano traçado.''
Preparo físico
''Complemento o trabalho físico com o trabalho com bola. O Venturini (José Carlos, preparador físico) trabalha resistência e força, e eu vou trabalhar velocidade e explosão. Em 20 dias, eles estarão em um estado físico razoável.''
Informações sobre adversários
No ano passado, o Paraná Clube obteve várias vitórias importantes na Série A por causa das informações sobre os adversários. O Nei César (auxiliar-técnico) deve viajar para descobrir os pontos fortes de cada time, principalmente os do Norte e Nordeste, que conhecemos pouco.''
Favoritos
''Os que caíram (Sport, Botafogo-SP, Santa Cruz e América-MG), mais o Caxias, que manteve uma base. Repito, nós correremos por fora.''
Alçapão
''No VGD, a torcida fica mais perto do campo. Isto contagia os jogadores, acaba obrigando eles a se entregar na partida. A equipe se agiganta. O adversário terá que ser acuado, mas organizadamente. Já joguei com o VGD lotado e sei como é difícil aguentar a pressão. O Café é um campo neutro.''
A conquista da torcida
''Quando eu cheguei no Grêmio (Maringá), os públicos não chegavam a mil pessoas. Depois fomos crescendo e fomos sendo respeitados e chegamos a jogar com público de 25 mil pessoas. Isso, porque o time demonstrava pegada e amor a camisa. Espero que no Londrina a história se repita.''
O 3-5-2 dele
''Vai haver variação dentro do próprio jogo. Gosto que um dos três zagueiros seja um cabeça de área, que saia para jogar. Quando estamos com a bola, o esquema, na verdade, se transforma em um 4-3-3. Os laterais devem subir simultaneamente, temos que marcar na intermediária adversária e provocar o erro do adversário. Agora, fora de casa, deveremos atuar em um 3-6-1. Não podemos abrir mão de estratégia.''
Jogadores altos
''Não adianta jogar a bola na área de qualquer jeito. O cruzamento tem que ser um passe. O jogador vai assimilar a jogada, saber onde a bola vai chegar porque a jogada será ensaiada exaustivamente.''
Elenco
Queremos ter um elenco homogêneo, de 26 jogadores. O campeonato é longo, vão ter muitas contusões, suspensões e o grupo não pode contar com titulares absolutos.''
Fora de campo
''O lazer é importante para qualquer pessoa. Em um momento de folga não sou contra uma cervejinha. Mas não admito boemia, jogador que enche a cara. No outro dia, ele não aguenta treinar forte e prejudica o grupo. Eu não aceito ser enganado.''
Passado boêmio
''Minha cabeça era muito pequena. Eu era de uma época que se não bebesse, não jogava. Não gostava de treinos físicos e só treinava a partir de quarta-feira. Não tive uma orientação que tento passar hoje a eles, por isso minha carreira acabou antes da hora. Mostro a eles, que a aquela vida me levou a derrota e ao fracasso.''
Vida nova
''Antes de ser evangélico, eu não vivia, vegetava. Foi muito sofrimento, entreguei minha vida a Deus e as coisas começaram a dar certo. Se estou no Londrina hoje, é porque Ele me abriu as portas.
O fator surpresa
Temos que ser realistas. Em virtude dos problemas financeiros, definimos mesclar uma base do Londrina com a do Grêmio. Os jogadores só são conhecidos na região. Correndo por fora, humildemente, montamos um time para não cair, com folha salarial baixa. Mas se o time for determinado, encarar cada jogo como uma decisão poderemos surpreender.
A caminhada no campeonato
O tempo de preparação é curto. Acredito que cresceremos durante a competição, até porque teremos nas quatro primeiras rodadas os adversários mais difíceis. Mas aposto na ambição dos jogadores em dar um passo à frente na carreira. Nós temos um sonho e um plano traçado.
Preparo físico
Complemento o trabalho físico com o trabalho com bola. O Venturini (José Carlos, preparador físico) trabalha resistência e força, e eu vou trabalhar velocidade e explosão. Em 20 dias, eles estarão em um estado físico razoável.
Informações sobre adversários
No ano passado, o Paraná Clube obteve várias vitórias importantes na Série A por causa das informações sobre os adversários. O Nei César (auxiliar-técnico) deve viajar para descobrir os pontos fortes de cada time, principalmente os do Norte e Nordeste, que conhecemos pouco.
Favoritos
Os que caíram (Sport, Botafogo-SP, Santa Cruz e América-MG), mais o Caxias, que manteve uma base. Repito, nós correremos por fora.
Alçapão
No VGD, a torcida fica mais perto do campo. Isto contagia os jogadores, acaba obrigando eles a se entregar na partida. A equipe se agiganta. O adversário terá que ser acuado, mas organizadamente. Já joguei com o VGD lotado e sei como é difícil aguentar a pressão. O Café é um campo neutro.
A conquista da torcida
Quando eu cheguei no Grêmio (Maringá), os públicos não chegavam a mil pessoas. Depois fomos crescendo e fomos sendo respeitados e chegamos a jogar com público de 25 mil pessoas. Isso, porque o time demonstrava pegada e amor a camisa. Espero que no Londrina a história se repita.
O 3-5-2 dele
Vai haver variação dentro do próprio jogo. Gosto que um dos três zagueiros seja um cabeça de área, que saia para jogar. Quando estamos com a bola, o esquema, na verdade, se transforma em um 4-3-3. Os laterais devem subir simultaneamente, temos que marcar na intermediária adversária e provocar o erro do adversário. Agora, fora de casa, deveremos atuar em um 3-6-1. Não podemos abrir mão de estratégia.
Jogadores altos
Não adianta jogar a bola na área de qualquer jeito. O cruzamento tem que ser um passe. O jogador vai assimilar a jogada, saber onde a bola vai chegar porque a jogada será ensaiada exaustivamente.
Elenco
Queremos ter um elenco homogêneo, de 26 jogadores. O campeonato é longo, vão ter muitas contusões, suspensões e o grupo não pode contar com titulares absolutos.
Fora de campo
O lazer é importante para qualquer pessoa. Em um momento de folga não sou contra uma cervejinha. Mas não admito boemia, jogador que enche a cara. No outro dia, ele não aguenta treinar forte e prejudica o grupo. Eu não aceito ser enganado.
Passado boêmio
Minha cabeça era muito pequena. Eu era de uma época que se não bebesse, não jogava. Não gostava de treinos físicos e só treinava a partir de quarta-feira. Não tive uma orientação que tento passar hoje a eles, por isso minha carreira acabou antes da hora. Mostro a eles, que a aquela vida me levou a derrota e ao fracasso.
Vida nova
Antes de ser evangélico, eu não vivia, vegetava. Foi muito sofrimento, entreguei minha vida a Deus e as coisas começaram a dar certo. Se estou no Londrina hoje, é porque Ele me abriu as portas.
Nome: Ivair Cenci
Terra natal: Pérola DOeste (oeste do Estado)
Data de nascimento: 6 de junho de 1967
Estado civil: casado há 11 anos com Eliete Cenci; não tem filhos
Clubes que defendeu como jogador: Pinheiros, Esportivo (Bento Gonçalves-RS), Cascavel, Francisco Beltrão, Batel e Paraná Clube
Clube do coração: Internacional (RS)
Currículo como técnico: campeão invicto da Segundona paranaense pelo Francisco Beltrão (1995); Cascavel (1996); sexto lugar da Primeira Divisão com o Francisco Beltrão (1997); vice-campeão da Taça Paraná de Amadores com o Real, de Realeza (1997); campeão da Terceira Divisão pelo Prudentópolis (1998); ascensão do Paranavaí da Terceira para a Segundona estadual (1999); vice-campeão da Copa Paraná pelo Foz do Iguaçu (1999); campeão invicto da Segundona estadual pelo Grêmio Maringá (2001); auxiliar técnico do Paraná Clube na Série A do Brasileirão (2001); vice-campeão estadual também pelo Grêmio Maringá (2002)


