Vale qualquer sacrifício por uma vaga
Janaina Tupan Frare
Especial para a Folha
Meses longe da família, horário para comer, para dormir e passar a maior parte do tempo dentro de um ginásio de esportes com mais 20 meninos com o mesmo objetivo. Esta tem sido a rotina dos atletas da seleção brasileira infanto-juvenil de vôlei, que estão em Londrina desde o dia 15 de janeiro, se preparando para o Campeonato Sul-Americano da modalidade, que acontece no próximo mês em Neuquén, na Argentina.
A seleção, que treina com o técnico Percy Oncken, comandante do time brasileiro há nove anos, reúne atletas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e até mesmo do Ceará.
O sonho desses meninos, que tem no máximo 17 anos, é chegar à seleção principal, jogando como o ídolo da maioria: o londrinense Gilberto de Godóy, o Giba. O Giba mostrou pra todo mundo que não precisa ter tamanho para jogar vôlei. É só ter cabeça, ser inteligente, jogar com garra, com amor à camisa e treinar muito para ser um grande jogador, disse o paulista Bruno Zanoto, 16 anos, de 1,98m.
O catarinense Maurício Zanette, 16, de 1,90m, concorda. Principalmente porque é um dos mais baixos da equipe. O Giba é um exemplo para todos nós. Já o ponta Leandro Neves, 16, acha que a altura ajuda muito dentro de quadra, o único incoveniente é quando sai para passear pela cidade. Com 2,10m de altura, Leandro, que começou a jogar vôlei com 12 anos, por influência das suas irmãs que também jogavam, chama a atenção por onde passa. Às vezes é chato andar na rua. Mas o jogador diz que não tem do que reclamar. São mais as vantagens que as desvantagens.
A única reclamação dos jogadores, é o tempo que permanecem longe da família. Esse é o preço mais caro que pagamos para realizar o nosso sonho, diz Leandro.
Mas algumas mães não conseguem ficar longe do filho tanto tempo. É o caso de dona Marili Sanches, que viajou 90 quilômetros, de Maringá a Londrina, duas vezes para ver o filho Luís Gustavo, 16 anos, que está treinando com a seleção. Além de ligar todos os dias, tive o privilégio de morar mais perto do que as outras mães e estar aqui agora, disse à Folha. Se ele for mais longe? Acho que a gente vai atrás do mesmo jeito.
Bruno não recebeu a visita da mãe, mas diz que o preço da saudade tem de ser pago. Imagina quantas vezes o Carlão ficou longe da família para ser o jogador que é hoje. Carlão, o jogador mais velho da seleção principal, começou a jogar profissionalmente aos 17 anos, e já representou o Brasil em 25 campeonatos, em 18 anos de profissão. Este ano, Carlão vai defender a seleção pela terceira vez em Jogos Olímpicos.
Participar de uma Olimpíada é o sonho maior de todo atleta. Acho que é o máximo na nossa carreira, diz Leandro que também tem um outro objetivo com a profissão: ganhar muito dinheiro como jogador de vôlei e fazer a faculdade de economia para aprender a administrá-lo.A saudade da família é a principal reclamação dos atletas infanto-juvenis, que treinam há quase um mês em Londrina
- César AugustoTRABALHANDO DUROVinte meninos treinam em Londrina para conseguir uma vaga na seleção infanto-juvenil, que vai disputar o Sul-Americano no próximo mês- César AugustoMaurício: O Giba é um exemplo- César AugustoBruno: Garra e amor à camisa- César AugustoLeandro: Altura ajuda na quadra





