São Paulo - Se fosse jogador e lhe pedissem para escolher entre embolsar US$ 1 milhão num ano e ''sumir do mapa'' ou continuar a receber cerca de R$ 60 mil mensais e manter-se na vitrine, qual seria a resposta? Alguns preferiram ficar no Brasil, com o mesmo salário, mas a maioria não teve dúvida. Pegou as chuteiras, fez a mala e foi embora no meio do Campeonato Brasileiro, que se encerra em três semanas. Apesar do bolso cheio, boa parte dessa turma amarga, agora, o ostracismo.
Quem se lembra, por exemplo, de Jorge Wagner? O meia chegou no início do ano ao Corinthians e, em pouco tempo, ganhou a torcida. Foi fundamental no título paulista e fez até gol na final. Aparecia sempre na mídia e hoje enfrenta o frio da Rússia, no Lokomotiv. Só um milagre ou o trabalho de um bom empresário pode levá-lo à parte nobre da Europa.
Outro corintiano, Fábio Luciano, desperdiçou uma grande chance de voltar à seleção. A possibilidade de convocação para os primeiros quatro jogos das Eliminatórias era considerável - desde que fosse visto pelo técnico Carlos Alberto Parreira, que sempre admirou seu futebol. Ainda mais com a má fase de Lúcio e Roque Júnior.
Mas o zagueiro achou que não podia esnobar a proposta do Fenerbahce, que lhe renderia cerca de US$ 1 milhão em um ano, e foi para a Turquia em julho. Estreou, em agosto, com derrota para o Istambul por 3 a 0. Depois de alguns tombos, garante estar feliz com a nova vida. Mas, no Brasil, o Campeonato Turco tem pouquíssima repercussão.
Para alguns empresários e dirigentes, ele deveria ter esperado um pouco, pois existia a chance de surgir algo melhor. Mas o dirigente corintiano Antonio Roque Citadini, por exemplo, achou que não poderia prejudicá-lo e, por isso, deu o aval para a negociação. Afinal, Fábio Luciano completará 29 anos no início de 2004.

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