Valcke lava as mãos sobre gastos na Copa
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quinta-feira, 29 de maio de 2014
Jamil Chade<br>Agência Estado 
Genebra, Suíça - "Não somos responsáveis pelo que ocorre num país". Foi assim que o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, respondeu em uma entrevista à BBC, ontem, quando foi questionado sobre o fato de que o preço elevado dos estádios brasileiros construídos para a Copa do Mundo e os orçamentos estourados poderiam levantar suspeitas de corrupção.
Valcke deixou claro que, no que se refere ao dinheiro usado pela Fifa e dado aos organizadores, ele garantia que não houve corrupção. "Somos bem claros que nenhum dinheiro pago pela Fifa pode ser ligado a qualquer caso de corrupção", alertou.
Mas o dirigente preferiu tomar distância ao ser questionado sobre orçamentos que estouraram na construção de algumas arenas da Copa no Brasil. "Claro que somos contra a corrupção e claro que temos hoje na Fifa, depois de tudo o que ocorreu nos últimos dois anos, novos comitês independentes para garantir que a forma como a Fifa é administrada e gerida esteja de acordo com os padrões internacionais. Mas, de novo, não somos responsáveis pelos países. Somos responsáveis pela ajuda e apoio financeiro que trazemos a um país e, neste ponto, posso ser vem claro e dizer que não há corrupção", declarou.
FALHA
Faltando duas semanas para o início da Copa do Mundo, Valcke reconheceu que errou na fase final da preparação da competição no Brasil e que, para os futuros eventos, terá de modificar a forma de lidar com as obras.
O principal problema, segundo ele, foi a questão das estruturas temporárias dos estádios, principalmente naqueles privados. Valcke contou que, para as próximas edições do Mundial, o debate de quem paga por cada instalação deverá ser esclarecido antes. Isso, explicou, evitaria uma "discussão interminável".
No total, governos estaduais, prefeituras e donos dos estádios no Brasil tiveram de pagar cerca de R$ 400 milhões para as estruturas temporárias das arenas, uma exigência da Fifa e que somente será usada durante a Copa.
"O maior erro que enfrentamos nos últimos meses no Brasil foi sobre os estádios privados, a questão das instalações privadas e quem é responsável pelo financiamento disso", afirmou Valcke, indicando os casos de Porto Alegre, Curitiba e São Paulo.
"Acho que temos de esclarecer os níveis de instalação e quem é responsável pelo que para garantir que não entremos de novo numa discussão interminável sobre porque eu tenho de pagar por algo que não vou usar no futuro", reconheceu.
CHUTE NO TRASEIRO
Valcke ainda admitiu que foi duro demais em algumas frases que usou sobre o Brasil durante os últimos sete anos e que os problemas não são entre a Fifa e o País. "Em uma ou duas ocasiões acho que as palavras usadas por mim foram muito fortes. É uma parceria entre um país e a organização. Mas, em uma relação em que há tantas partes envolvidas, é comum haver alguma tensão às vezes", disse.
O dirigente francês lembrou que esteve muito próximo de excluir Curitiba da Copa. "Chegamos bem perto de dizer: 'pessoal, vocês não vão conseguir, nunca vai funcionar, vocês devem ficar de fora'", contou. Mas reconheceu que, no Brasil, o que aprendeu é que não deve fazer isso e que, mesmo que seja no último minuto, tudo será entregue.


