Val e Livio têm trajetória comum
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segunda-feira, 31 de maio de 1999
Cláudio Osti 
Val de Mello, 43 anos, e Livio Vieira, 44, vão decidir pela primeira vez um título como técnicos de equipes profissionais. Ninguém sabe quem será o campeão, mas os nomes deles já estão garantidos na história dos clubes que dirigem. Os dois técnicos pratas-da-casa conseguiram levar suas equipes à primeira divisão do Campeonato Paranaense. O Londrina, de Val de Mello, retorna à Série A-1, da qual fora rebaixado no ano passado. E a Portuguesa, de Livio, ingressa pela primeira vez na elite do futebol paranaense.
Os dois, além de serem amigos fora dos gramados, têm muito em comum. Foram jogadores profissionais, atuavam no meio-campo, falam baixo, sempre demonstram tranquilidade e são muito respeitados pelos atletas que comandam. Outra coincidência é que ambos jogaram no Londrina e iniciaram suas carreiras de técnicos de equipes profissionais este ano - e em Londrina.
O técnico da Portuguesinha jogou em equipes profissionais durante 19 anos. Natural de Matozinhos (MG) - cidade de Paulo Isidoro, ex-craque do Atlético Mineiro e da Seleção Brasileira -, iniciou a carreira no Cruzeiro, passou por Atlético (PR), Santos, Brasil de Pelotas, Noroeste, Ituano e Londrina.
Quando eu tinha 32 anos, jogava no Brasil de Pelotas, e o treinador foi demitido. Como eu era o capitão do time, fiquei de técnico interino e comandei a equipe por 18 partidas. Foi aí que comecei a amadurecer a idéia de seguir carreira, lembra Livio. Depois de encerrar a carreira de jogador no Juventus de Jaraguá do Sul (SC), veio morar em Londrina e passou a treinar o Hyogo - centro de formação de jogadores. Em janeiro deste ano, assumiu o comando da Portuguesa.
Livio teve como treinadores, em sua carreira, Luiz Felipe Scolari (técnico do Palmeiras), Zezé Moreira (ex-Seleção Brasileira) e José Teixeira (presidente do Sindicato dos Treinadores de São Paulo). Tento passar aos meus jogadores o que assimilei. Nós conversamos muito e eu procuro colocar para eles situações que vivi. Nosso grupo é bom e assimila nossas orientações, diz Livio.
Val de Mello teve carreira curta no futebol profissional. Meiocampista mais ou menos, segundo ele próprio, Val começou nas categorias de base do Londrina, foi emprestado para o Fluminense e, em seguida, para a Ponte Preta. Aos 22 anos e oito cirurgias nos joelhos depois, decidiu parar. Começou, então, a treinar clubes amadores. Foi técnico da Cipasa, Grêmio, Iate, Guaravera, Alvorada do Sul, Sertanópolis, Portuguesa e vários outros até ser convidado para dirigir os juniores do Londrina.
Com a ajuda do preparador físico Billy e do massagista Toninho, foi campeão paranaense de juniores em 98 - depois de o time ficar sete anos amargando a fila. Foi aí que a estrela de Val começou a brilhar. Assumiu o Londrina nesta segundona com a saída de Paulo Comelli e, em sete jogos, todos decisivos, não perdeu nenhum. Gosta do estilo de Antonio Lopes, do Vasco, e admira Paulo Cesar Carpegiani. Tudo isso está sendo possível por causa do apoio dos jogadores, do Célio Guergoletto, do supervisor Lico, de todos os dirigentes, diz Val, que não se faz de rogado: Que me desculpe o pessoal da Portuguesa, mas nós vamos ser campeões.


