O volante Vágner, do Celta de Vigo, curte os últimos dias de férias em Londrina tendo em mente um único objetivo: recuperar-se o mais rápido possível de um problema no nervo ciático, voltar a jogar pelo seu clube e ser lembrado novamente para a Seleção Brasileira. Ele não esconde a frustração de sua curta passagem pela Seleção sob o comando do técnico Emerson Leão no mês passado. Mesmo sentindo a contusão, o jogador foi para o sacrifício e vestiu a camisa do Brasil em uma partida e meia: um amistoso e metade do jogo contra Camarões, pela Copa das Confederações, no Japão, onde a Seleção cumpriu pífia jornada que culminou com a demissão de Leão.
‘‘Estou há praticamente 50 dias parado e não vejo a hora de me recuperar e voltar a jogar. Espero que o Felipão me dê uma chance’’, afirma Vágner. Ele não teme que uma rusga antiga com o coordenador da Seleção, Antônio Lopes, venha interferir numa futura convocação.
De acordo com o jogador, Lopes o teria prejudicado em sua passagem pelo Vasco ao insistir que atuasse como lateral-direito. Mesmo na Copa das Confederações, Vágner foi obrigado a jogar fora de sua posição. ‘‘Joguei como quarto homem de meio-campo e não rendi aquilo que esperava’’, analisa ele, com certa mágoa de Leão e Lopes. ‘‘Eles foram ver o Emerson do La Corunã e outros jogadores que atuam na Espanha, menos o Celta de Vigo onde jogam cinco brasileiros. Faltou um pouco de respeito comigo. Eu nem estava na lista dos 35 da seleção e, de repente, me ligaram de surpresa’’, desabafa ele.
O jogador lembra ainda que no Vasco chegou a pedir a Lopes que o deixasse no banco de reservas caso não fosse escalado como volante. ‘‘Ele não gostou e disse que eu não sabia marcar. Depois, fui para o São Paulo e passei um ano maravilhoso. Quando o Lopes foi para o Grêmio, ele queria que eu fosse jogar lá e eu não aceitei.’’
Apesar dos problemas, Vágner entende que o técnico Luiz Felipe Scolari tem autonomia para convocar quem estiver jogando bem em seus clubes. ‘‘Quem acompanha futebol sabe que o Felipe me elogia e ele sabe que estou machucado. Ele também não convoca jogador para agradar empresário’’, alfineta ele, numa crítica direta ao ex-técnico da seleção Wanderley Luxemburgo.
Aos 28 anos, Vágner não pensa tão cedo em aposentadoria. ‘‘Tenho mais oito anos de futebol e mais cinco anos de contrato com o Celta. Dificilmente volto ao Brasil. Lá encontrei meu melhor futebol e não vou trocar dólar pelo real.’’ Se pendurar a chuteira nem lhe passa pela cabeça, ele já tem projetado o que pretende fazer quando o momento chegar. ‘‘Meu projeto é fazer jornalismo, ter uma rádio, jornal ou TV. Sei como é importante ter uma profissão.’’ Enquanto os projetos não se tornam realidade, o jogador cuida do futuro terminando o curso a distância do 2º grau e um curso de informática.

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