A primeira coisa que o volante Vágner, do São Paulo, fez ao desembarcar ontem em Londrina, onde mora sua família, foi colocar a medalha de campeão paulista no pescoço da mãe, Maria Aparecida Nunes. Maria Aparecida ficou emocionada com o gesto do filho. Já no domingo, depois do empate por 2 a 2 com o Santos, que deu o título paulista ao São Paulo, mesmo em meio ao tumulto no Estádio do Morumbi o volante fez uma homenagem a mãe, mandando um beijo para ela, ao vivo, pela TV.
‘‘Todos os jogos eu ligo para ela e peço benção. Minha mãe e meu irmão Alexandre são tudo para mim. Eles estando bem, eu estou bem’’, disse Vágner à Folha. Maria Aparecida conta como assistiu ao jogo: ‘‘Com o terço na mão, rezando muito. Assistia um pouquinho, saia da sala, voltava, sempre rezando’’.
Alegre e falante, Vágner deu autógrafos e tirou fotos com os fãs que foram recepcioná-lo no aeroporto. ‘‘Foi o título mais importante da minha carreira’’, avalia. O contrato do atleta termina no próximo dia 30 e ele confessa que ainda não sabe seu destino, mas admite que o título de campeão paulista pode dar um novo rumo na sua carreira. O passe dele pertence ao Roma, da Itália.
‘‘Eu gostaria de ficar no São Paulo, que é um clube que dá todas as condições para você fazer um bom trabalho. O ambiente é muito bom e tudo é feito com profissionalismo.’’ Por enquanto, três clubes já manifestaram interesse pelo jogador: Corinthians, Celta de Vigo e Olimpiakos, da Grécia. A definição deve sair nos próximos dias – o irmão Alexandre está negociando com o São Paulo.
Vágner parece estar mesmo em sua melhor fase. Elogiado pelo técnico Luiz Felipe Scolari, do Palmeiras, como o melhor volante atuando no Brasil, ele acredita que, em breve, terá uma oportunidade na Seleção Brasileira e garante: se for convocado, não sai mais do time. A posição, afirma, não importa – ‘‘de lateral a volante, e até de goleiro se for preciso’’, diz ele, que ontem se encontrou no aeroporto com Aliomar Mansano, o Ticão, conhecido revelador de jogadores.
O jogador, aparentemente, encontrou seu ponto de equilíbrio, o que tem refletido em suas atuações. Mas ele nega que tenha mudado seu comportamento. O que mudou, afirma, foi seu jeito de tratar com a imprensa. Hoje ele só grava entrevistas para rádios se confiar muito no repórter e quase não dá entrevistas para jornal. ‘‘Eu prefiro falar ao vivo’’ diz. E explica: ‘‘Quando o Carpegiani deixou o São Paulo eu estava em Londrina, naquele dia chovia muito e não dava teto no aeroporto para eu viajar. Saiu na imprensa de São Paulo que eu não quis ir treinar. Pôxa, ninguém me ligou para perguntar o que tinha acontecido, criaram problemas sem eu ter qualquer culpa.’’
Poucos minutos depois da chegada de Vágner, outro campeão paulista desembarcou. O meia Fabiano veio à cidade para visitar amigos e hoje segue para Marília, onde mora sua família. Amanhã os dois já estarão treinando para a partida de sábado contra o Palmeiras, pela Copa do Brasil.

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