Luiz Claudio Oliveira
Enviado da Folha
Jogadores e comissão técnica da Seleção Brasileira estão certos quando afirmam que não podem menosprezar o Uruguai no jogo de hoje, às 18 horas, no Estádio Defensores del Chaco, em Assunção, na decisão da Copa América. A garra uruguaia promete estar mais presente que nunca, segundo o técnico Victor Púa, que afirmou que seu time vai jogar no ataque e ‘‘lutar até a morte’’ para conquistar o título.
O Brasil luta pelo bicampeonato ( veja texto na página quatro) e, se conseguir, irá conquistar o sexto título desta competição, enquanto o Uruguai luta para levantar seu 15º troféu de campeão das Américas. No último encontro entre as duas seleções, o Uruguai foi vencedor.
Esse encontro aconteceu em 1995, em Montevidéu, a casa do adversário. O Brasil começou bem e fez o primeiro gol. O Uruguai empatou no segundo tempo e o jogo foi para os pênaltis. Desde aquela época os uruguaios já eram bons nos pênaltis e conquistaram o título.
Nesta edição atual, o Uruguai também dependeu dos pênaltis para chegar à final. O time só venceu uma partida no tempo normal, contra o Equador. Ainda na primeira fase, perdeu para a Colômbia e a Argentina. Nas quartas-de-final, eliminou o dono da casa, o Paraguai, empatando no tempo normal em 1 a 1 e vencendo nos pênaltis.
Na semifinal, foi a vez de empatar com o Chile, também em 1 a 1, para depois vencer nos pênaltis. Ao todo, foram dez pênaltis cobrados e nenhum desperdiçado. ‘‘O pênalti é um recurso válido. O próprio Brasil foi campeão do mundo em 94, nos Estados Unidos, vencendo nos pênaltis’’, lembrou o técnico uruguaio Victor Púa, que promete pôr o time para jogar no ataque: ‘‘Se um time quer ganhar o título, não pode jogar uma final tendo o ataque como último recurso’’.
Mas se os uruguaios têm o dom de acertar as penalidades, o Brasil tem Dida, o defensor de pênaltis. O goleiro brasileiro já defendeu duas penalidades na Copa América. A primeira contra o Chile e a segunda contra a Argentina. ‘‘Se precisar, vou estar lᒒ, avisa o goleirão de 1,95 m de altura.
O Brasil chegou à final com aproveitamento de 100%: cinco vitórias em cinco jogos. Foram 14 gols marcados contra apenas dois gols sofridos. A boa campanha, segundo o técnico Wanderley Luxemburgo e os jogadores, se deve à eficiência do sistema de jogo implantado pela comissão técnica.
- O esquema tático, com os jogadores de ataque sendo os primeiros defensores, auxilia a defesa da mesma maneira que os jogadores de defesa têm liberdade para chegar ao ataque - analisa o capitão Cafu.
O volante Emerson concorda com o lateral e diz estar gostando desta nova maneira de jogar, apesar de ter recuado em relação a como vinha jogando em outras situações.
- A seleção tem um esquema diferente em relação à da Copa de 98, especialmente no estilo de jogo. O volante, como é o meu caso, tem mais liberdade para se movimentar - afirma Emerson, que completando: ‘‘Prefiro jogar assim, mais solto’’.
No treino da tarde de sexta-feira, no Estádio do ABC, em Foz do Iguaçu, o técnico Wanderley Luxembuurgo realizou alguns ensaios táticos para o jogo de hoje. No ataque, ele promoveu uma inversão de lado dos jogadores. Ronaldo ficou mais pela direita e Amoroso pela esquerda, mas com os dois movimentando-se bastante quando o time estiver com a posse de bola.
Em certo momento do treinamento, para acertar a marcação, chamou para uma reunião no meio-de-campo os jogadores Ronaldo, Amoroso, Émerson, Rivaldo e Cafu. Pelo que deu a entender, ninguém vai fazer uma marcação especial em Magallanes, o principal jogador do Uruguai. É ele quem organiza as jogadas de ataque e as saídas de bola dos uruguaios.
Na frente, está o artilheiro Zalayeta, que fez três gols na Copa América. Antônio Carlos, que já o enfrentou nos jogos da liga italiana, avisa que o atacante é mais perigoso que o argentino Palermo, por ser mais rápido e habilidoso.
O zagueiro brasileiro também discorda quando afirmam que os jogadores uruguaios são inexperientes e, por isso, o jogo vai ser mais fácil para o Brasil, que tem jogadores mais experientes.
- Eles têm jogadores que atuam na Europa, e hoje os jogadores de 20 ou 21 anos não são como os de dez anos atrás. Hoje eles já têm experiência internacional.
Mesmo assim, Antônio Carlos e Emerson concordam que o Brasil é o favorito para o título. ‘‘O Brasil será sempre o favorito, em qualquer jogo e em qualquer competição’’, afirma o volante. ‘‘Temos que absorver esse favoritismo como uma inspiração para jogarmos bem e conquistarmos o título’’, ensina o zagueiro.Os ‘reis dos pênaltis’ de Victor Púa recorrem à garra para tentar vencer o ‘Brasil 100%’ de Wanderley Luxemburgo
Albari RosaTranquilidadeO ‘capitão’ da equipe brasileira, Cafu, relaxa na piscina do hotel da Seleção, em Foz do Iguaçu: Brasil é favorito para a decisão de hoje

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