Uniformes e acessórios não param de evoluir
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quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Ao assistir algum vídeo de competições esportivas do passado, muita gente se pergunta como o atleta conseguia desempenhar sua função com aquele tipo de roupa. Assim como as táticas e técnicas esportivas, os uniformes e os acessórios evoluíram com o tempo e hoje usam o que se tem de mais tecnologia para serem desenvolvidos.
A evolução nos materiais esportivos não para. A todo tempo profissionais do mundo inteiro estão mobilizados em busca de melhoramentos para os produtos que possam representar novas marcas em cada modalidade. São ajustes e inovações muitas vezes imperceptíveis a olho nu, mas que trazem resultados consideráveis seja no desempenho ou no conforto.
As camisas largas de algodão, que ficavam extremamente pesadas com o suor ou com a chuva, deram lugar a tecidos com alto poder de absorção sem que o atleta sinta. As bolas de capotão deram lugar a bolas cada vez mais leves. Assim como os calçados, que ganham atrativos tecnológicos capazes de mudar o desempenho do atleta, e os maiôs, que podem definir recordistas na natação.
No caso dos calçados, são inovações jamais imagináveis há alguns anos. Já existe até tênis com GPS. São solados específicos para cada piso, sistemas de amortecimentos de impacto, detalhes e mais detalhes que unem conforto, beleza e eficiência no esporte.
O calçado esportivo não é mais um mero acessório da vestimenta do atleta profissional ou amador, tanto do ponto de vista de quem o fabrica como dos usuários.
Para chegar ao produto final, são meses e meses de testes e estudos. ''Desde o momento em que passamos o briefing para o designer até o momento em que temos o produto final e podemos lançá-lo ao mercado, leva entre 12 e 18 meses'', afirmou o gerente da Topper, Germain Pipet.
Segundo ele, antes de planejar uma nova coleção ou um novo lançamento, é feita uma pesquisa de mercado que tem como principal objetivo saber o que o consumidor espera ou pretende obter com um novo calçado, por exemplo. ''Baseado nos desejos do consumidor e nas tendências de moda das próximas temporadas, cria-se um conceito sobre o que se deseja de um determinado calçado. Esse conceito é passado para o designer de calçados por meio de um briefing de coleção. Uma vez feito o design do calçado, essa informação segue para o P&D, que é responsável por conciliar as tecnologias (de amortecimento, conforto, pisada, entre outros), os materiais e o design'', afirmou Pipet.
Depois de todo o processo de concepção do produto, ele passa por rigorosos testes de qualidade. ''Nesse momento, são feitos testes para verificação da viabilidade do produto. É importante lembrar que o objetivo de cada calçado é dado pelo próprio consumidor na fase de pesquisa. Ele define se deseja amortecimento, resistência, velocidade, design'', explicou o gerente da Topper.
Bolas de futebol
Com as bolas não é diferente. As bolas de couro, que encharcavam e ficavam extremamente pesadas deram lugar a bolas feitas com material sintético. As primeiras bolas tinham uma abertura por onde entrava uma câmara inflável de borracha. Esse buraco era fechado com um cadarço, que machucava a cabeça dos jogadores no momento do cabeceio.
Com o tempo, a bola perdeu o cadarço mas ainda sofria com campos molhados. A partir da Copa do Mundo de 1962, ela passou a ser feita em 18 gomos, deixando-a mais homogênea e estável. Com os anos, os gomos foram diminuíndo. A bola utilizada na Copa do Mundo de 2006, por exemplo, na Alemanha tinha 14 apenas.
No Campeonato Paulista, a Topper fez nova diminuição nos gomos. Eram 12 pentágonos, diminuindo o contato do pé com as costuras. ''Com menos área de costura a bola tem menos atrito do ar em seu percurso deixando-a mais rápida. O modo de construção atual faz com que a bola seja mais macia e ganhe velocidade, dando mais dinamismo ao jogo e maior conforto aos jogadores'', explicou o gerente de produtos da Topper, Lucas Jorge. No entanto, a bola do Paulistão foi alvo de muitas críticas, principalmente por parte dos goleiros.
Segundo Jorge, com a descoberta de materiais sintéticos, foi possível controlar, entre outras variáveis, o peso da bola e as alterações que ela sofria durante os jogos. ''Elas se tornaram mais contantes, ou seja, permanecem iguais ou com mínima alteração do início do jogo ao final, diferente de antigamente onde o peso final de uma bola aumentava muito, principalmente no futebol de campo com chuva, ou com a absorção de suor no basquete e vôlei'', apontou.
De acordo com o executivo da Topper, a opinião dos atletas é levada em conta na hora de conceber um novo produto. ''Utilizamos atletas profissionais e amadores para fazer testes, além deles temos um laboratório onde aplicamos testes iguais aos da FIFA. Os testes são feitos em todas as condições climáticas e também durante o dia e à noite, pois a iluminação é o ponto crucial para o desenvolvimento de uma bola de uso externo''.


