Ao perguntar ao mais otimista morador de Rolândia quais eram as expectativas em relação ao desempenho do Nacional na volta à Primeira Divisão do Campeonato Paranaense, certamente ele não responderia que o time brigaria pelas primeiras colocações. Pois a bela campanha do clube, que hoje à tarde briga com o Coritiba pela segunda posição do Estadual, não surpreendeu apenas aos torcedores do time rolandense, mas também os próprios gestores do clube.
No início do ano, o NAC era apontado como um dos candidatos ao rebaixamento. Afinal, desde 2004, quando chegou à Primeira Divisão, o time não fez outra coisa senão brigar para não cair. Em 2007, a diretoria fez uma parceria com um empresário maranhense, que mandou um grupo completo e um treinador para Rolândia, todos do Nordeste.
Muitos dos atletas estavam em péssimas condições físicas, alguns até davam sinais de desnutrição. O time foi o saco de pancadas do torneio. Venceu apenas um jogo, empatou dois e perdeu 11 partidas. A equipe que tinha o meia Zidane, que não era o verdadeiro, marcou somente 17 gols e levou 40.
A queda fez bem para o clube, que fechou uma parceria com a Royal Players, uma empresa londrinense de gerenciamento esportivo. A empresa comandada pelos empresários Persius Sampaio e Gilberto Ponce, e pelo ortopedista Alexandre Queiroz, fechou contrato de cinco anos com o nacional, com opção de renovação por mais três.
O time fez campanha impecável na Divisão de Acesso e ficou com o título, retornando à elite. O Nacional, que pertence ao empresário Dema Locatelli e ao vereador José Danilson de Oliveira, hoje é a sensação do torneio. A Royal Players administra o futebol do clube e é responsável por 80% dos gastos. Os outros 20% ficam a cargo dos dirigentes. A folha de pagamento, contando os 23 jogadores e a comissão técnica, está na casa dos R$ 50 mil.
O Nacional demorou para se acertar no Paranaense. O time chegou a frequentar a zona de rebaixamento no início. ''Jogávamos bem, mas sempre perdíamos com alguma falha individual'', lembrou o técnico Gilberto Pereira. Ele recebeu um voto de confiança dos gestores. Ficou no cargo e ainda conseguiu trocar algumas peças do elenco.
Na partida contra o Atlético, na sétima rodada, o time engrenou e não saiu mais dos trilhos. Após estar perdendo por 2 a 0, o Nacional foi buscar o empate. Depois, foram cinco vitórias seguidas que o colocaram na terceira posição com 20 pontos. Uma coincidência marcou a reação do NAC. ''Havia um rodízio de capitães. Quando o time vencia o capitão continuava. Quando perdia era trocado. Eu fui escolhido contra o Atlético fiz gol e não perdemos mais. Quero ser capitão até o final'', disse com um largo sorriso o zagueiro Bruno Matavelli, 21 anos, revelado no Londrina.
O segredo do sucesso, segundo o gerente da Royal, Sidiclei Menezes, é seriedade. ''O time é unido, não tem vaidade e sim responsabilidade. Se não se enquadra no que determinamos, não faz mais parte. Tem que ter comprometimento'', elencou o ex-volante do Londrina.
A campanha rendeu até um apoio financeiro ao clube. O Nacional conseguiu fechar dois contratos de patrocínio nos últimos dias. Por R$ 40 mil, a Sercomtel estará estampando a marca na camisa do time. Já a Itamaraty, a partir de hoje, ocupará as mangas do uniforme por R$ 10 mil.
A boa fase, a união e a superação da equipe serão colocadas à prova hoje, às 18h30, no Couto Pereira. Quem ganhar será o vice-líder do Paranaense. O Nacional vai completo para o jogo.

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