União Bandeirante, um time folclórico e de muita tradição


Thiago Mossini Reportagem Local
Thiago Mossini Reportagem Local

Nos tempos áureos o clube era ''a pedra no sapato'' dos times da capital. Tinha fama de endurecer os jogos contra os grandes, mas nunca chegou a conquistar o título mais importante do Estado. O União Bandeirante de tempos atrás pode ser comparado no futebol de hoje ao São Caetano.
''Nosso time era muito bom e sempre tivemos bons zagueiros. Os ídolos da época pensavam três vezes antes de vir jogar em Bandeirantes. Uma semana antes do jogo eles já ficavam com dor de barriga'', afirma o ex-zagueiro nada modesto José Carlos Barbosa, ou Zé Marmita quando jogava, e Ruan (com ''r'' mesmo) Marmita depois que encerrou a carreira. ''Ruan vem de Dom Juan por causa das mulheres'', diz.
O União Bandeirante Futebol Clube foi fundado em 1964, já com o futebol profissional, pela família Meneghel, proprietária da Usina Bandeirante, primeiro nome da equipe. Com a fusão com o Guarani, o nome mudou para União.
A história do clube é revestida de tradição e do folclore ligado à família Meneghel, famosa por tentar conseguir os resultados de outra forma não sendo na bola. O pessoal que acompanhava o futebol da época diz que o presidente, Serafim Meneghel, gostava de dar uns ''tirinhos'' de vez em quando.
Tiros e folclore à parte, o União ficou marcado pelos cinco vice-campeonatos conquistados, tendo em três deles também os artilheiros da competição como a famosa ''dupla caipira'' Paquito e Tião Abatiá os dois maiores ídolos da história do clube.
A contratação do lateral-direito campeão mundial de 1958, Nilton de Sordi, foi fundamental para o crescimento da equipe e, em 1966, com apenas dois anos de fundação, veio a prova de que o União já não era simplesmente um coadjuvante do campeonato estadual. O time do Norte chegou à final do Paranaense, mas acabou perdendo o título para o Ferroviário, da capital. O centroavante Paquito começava a despontar, sendo o artilheiro com 13 gols.
Três anos mais tarde, a sina do vice começava a aparecer. O União chegou novamente à final, sucumbindo diante do Coritiba. Paquito foi novamente o artilheiro do time com 22 gols.
Jogando durante anos pelo clube, o atacante criou um amor especial ao União. ''Em 71, eu e o Tião fomos emprestados para o Coritiba. Depois eles compraram o nosso passe, mas eu não queria ir para lá, queria ficar em Bandeirantes. Tinha um amor pelo clube. Mas eles só comprariam se fosse os dois, então eu fui'', revela Paquito.
Em 71, nova final contra o Coxa. A tão esperada revanche acabou não acontecendo. O time da capital venceu, acabando com o sonho do União de conquistar seu primeiro título estadual. Como consolo ficou a artilharia da competição com Tião Abatiá, que marcou 19 gols.
Depois desta sequência de finais o União perdeu um pouco da sua força. Nesse período o destaque ficou por conta de Marmita. Lançado em 73 no profissional, o zagueiro se inspirou no ator da globo Tony Tornado, que tinha pintado o cabelo. ''O técnico De Sordi e o presidente Toninho Meneghel mandaram eu pintar o cabelo de caju e eu fiz. Isso projetou minha carreira. O seu Serafim não gostava daquele cabelo black power de cor caju e queria porque queria que eu tirasse. Ganhei um 'dinheirão' do próprio clube e de uma TV para ficar com o cabelo pintado. O povo foi gostando e a cada 15 dias eu pintava de outra cor'', lembra o folclórico zagueiro.
Já em 89, 18 anos depois do último vice, o time teria uma nova chance de descontar as duas derrotas para o Coritiba. Mas novamente mostrou que era freguês do Coxa em finais. Na primeira partida as duas equipes não saíram do 0 a 0. No segundo jogo, realizado Couto Pereira, os donos da casa venceram por 2 a 0 e ficaram com o título paranaense.
Três anos depois, em 92, foi a vez do arqui-rival Londrina acabar com o sonho do time alvinegro. ''Nós nunca fomos campeões porque éramos barrados em Curitiba. Ou era expulso jogador, ou era suspenso. Eles (a Federação Paranaense de Futebol) sempre davam um jeito de nos prejudicar'', justifica Diácomo Gamaliel Meneghel, o Gama, ex-diretor e um dos fundadores do União,
As conquistas eram as salvações para os times do interior, que, em sua maioria, viviam com dificuldades financeiras. Mas o clube de Bandeirantes era excessão. ''Era época difícil para tocar futebol, mas o União sempre teve dinheiro porque era a família que tocava'', garante Gama.
Com o passar dos anos o time foi criando tradição de se dar bem em competições de categorias de base, como a Dallas Cup, nos Estados Unidos, e com isso tem revelado novos talentos. O goleiro titular do Vasco da Gama, Fábio, é um exemplo disso.
O time parece ter engrenado novamente sob o comando do técnico Val de Mello. O União faz uma ótima campanha na Série C do Campeonato Brasileiro e já conseguiu uma das duas vagas do grupo 26 para a próxima fase.

Como você avalia o conteúdo que acabou ler?

Pouco satisfeito
Satisfeito
Muito satisfeito
Assine e navegue sem anúncios [+]

Últimas notícias

Continue lendo