Uma vida de amor pelo Corinthians
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sábado, 14 de agosto de 2004
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
''Corintiano ama sua equipe em quaisquer circunstâncias, ganhando ou perdendo.'' A costureira Rosalina Ramos Teixeira, a Dona Tita, 69 anos, se diz apaixonada pelo Corinthians, time que já lhe deu muitas alegrias, mas que foi responsável por algumas noites mal dormidas. Torcedora fervorosa do Timão há mais de 45 anos, Dona Tita guarda com carinho recordações da história do clube. E faz questão de dizer que os quatros filhos, netos apenas um é flamenguista e o bisneto também são apaixonados pelo Corinthians.
Dona Tita afirma que na adolescência, quando ainda morava em São Jerônimo da Serra (78 km ao sul de Cornélio Procópio), era torcedora do Vasco da Gama. ''Ouvia a Rádio Nacional do Rio de Janeiro e eles transmitiam muitos jogos do Vasco. Era época do Barbosa, Bellini, Ademir de Menezes e outros craques'', lembra. ''Mas já tinha um sentimento nobre pelo Corinthians''.
A costureira adotou o time do Parque São Jorge como seu clube de coração por influência do filho mais velho, Rubens Tibiriçá, no final da década de 50. ''Ele era muito quieto. Para ele se soltar, nós falávamos do Corinthians'', explica.
Dona Tita mal sabia que o início de sua paixão coincidia com o período mais triste da história do clube. Foram quase 23 anos sem comemorar um título. ''Em compensação, quando ganhamos o Paulista de 1977 foi uma das maiores alegrias da minha vida. Cheguei a passar mal''.
Como a grande maioria dos corintianos, Dona Tita não tem boas recordações de Pelé. ''Eu nunca gostei do Pelé, por tudo que ele fez com o Corinthians. Eu semprei achei que o melhor jogador de todos os tempos foi o Garrincha'', despista.
Falando em Pelé, Dona Tita lembra de uma passagem marcante sobre o Rei do Futebol. Ela foi ao Pacaembu assistir a uma partida entre Santos e São Paulo, pelo Campeonato Paulista de 1963. ''Fui torcer pelo São Paulo, mas porque o resultado era bom para o Corinthians. O Armando Marques (árbitro) expulsou o Coutinho. O Pelé ficou furioso e foi para cima do Armando, que o mandou para fora também'', conta Dona Tita,com um sorriso maroto no rosto.
Outra passagem inesquecível para Dona Tita aconteceu já na década de 70. Ela foi até a casa de uma prima em São Paulo, cujo marido era advogado do então atacante corintiano Lance. Aproveitando de sua influência, o advogado a levou até o Parque São Jorge para assistir a um treino da equipe. A torcedora fez fotos com os grandes jogadores do time, como o lateral Zé Maria, e até com o ex-jogador Teleco, responsável pela sala de troféus do clube. ''Quando fomos revelar o filme estava tudo queimado. Foi uma tristeza sem tamanho'', lamenta.
A costureira teve a oportunidade de assistir o Corinthians jogando duas vezes contra o Londrina, no Estádio do Café. ''Fui ao estádio apenas para assistir. Não daria para torcer contra o Londrina'', frisa, reconhecendo o carinho pelo clube da cidade. Sobre a atual equipe, que começou mal no Campeonato Brasileiro, mas que vem se recuperando, Dona Tita demonstra confiança. ''Podem esperar que o Corinthians está chegando. E se deixarem vamos conquistar mais esse título'', diz confiante.


