São Paulo, 31 (AE) - A queniana Lydia Cheromei obteve hoje uma das vitórias mais tranquilas da história da prova feminina da São Silvestre. Ela completou os 15 quilômetros do percurso com o tempo de 51min29 - 1min16 mais rápida do que a sua compatriota Delillah Asiago, segunda colocada. Esther Kiplagat confirmou o domínio queniano, terminando em terceiro lugar, com 52min46.
Aos 22 anos, Lydia mostrou grande forma física. Ela assumiu a liderança da corrida logo na metade do percurso, na região do Pacaembu. Sem tomar conhecimento das adversárias, aumentou aos poucos o ritmo de suas passadas para uma média de 18 quilômetros por hora e abriu constantemente vantagem sobre as outras corredoras. No fim da subida da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, por exemplo, a fundista já estava com mais de 200 metro à frente do segundo pelotão.
"Não esperava uma vitória como esta", disse Lydia, que, desde maio, mora e treina na Holanda. "Só decidi correr na São Silvestre há uma semana." A vitória de hoje foi a nona consecutiva de Lydia, desde outubro
quando retomou as competições. Ela disse que resolveu forçar o ritmo porque achou que a corrida estava muito lenta.
"As minhas adversárias não quiseram correr forte e decidi fazer a minha prova", comentou a atleta, que espera disputar os 5 mil metros na Olimpíada de Sydney, em setembro. "Espero que a edição deste ano inicie uma hegemonia do Quênia também na categoria feminina da prova."
Mesmo com a vitória tranquila, Lydia não quebrou o recorde da São Silvestre. A melhor marca ainda é da queniana Hellen Kimayo, com 50s26, obtida em 1993. No início da prova, cuja largada foi dada às 15h20, a brasileira Maria Lúcia Vieira e a mexicana America Matheus Guzmán saíram na frente. America teve mais fôlego do que Maria Lúcia, mas só esteve à frente até a metade da prova, quando foi superada pela vencedora.
A brasileira mais bem colocada foi Cleuza Maria Irineu, que terminou em sexto lugar. Ela ganhou um carro como prêmio da organização da corrida. Cleuza lamentou apenas o fato de não ter conseguido um lugar no pódio. "Não pude acompanhar as primeiras colocadas por causa de dores no pé direito", explicou a brasileira. "Tenho um problema crônico no pé, que provoca dores quando forço muito nos treinos ou nas competições."
A iugoslava Olivera Jevtic, vencedora do ano passado, terminou em oitavo lugar. Já a equatoriana Martha Tenorio, vice-campeã de 1998, foi melhor e ficou na quarta colocação. A chilena Erika Oliveira, medalha de ouro na maratona dos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, terminou em quinto. A atleta forçou muito o ritmo e caiu ao chão após cruzar a linha de chegada. Não participou nem da festa de premiação.

mockup