Uma novela chamada VGD
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sábado, 18 de agosto de 2012
Thiago Mossini <br> Reportagem Local 
O Estádio do Café é maior e mais confortável, mas não adianta: o coração do torcedor do Londrina pertence mesmo ao quase sessentão Vitorino Gonçalves Dias (VGD). Porém, a volta do charmoso estádio, que marcou a história alviceleste, ao dia a dia do Tubarão, fica cada vez mais complicada e já ganhou dramaticidade suficiente para render um bom roteiro de novela mexicana. Fechado desde 2007, não há expectativa de ver o caldeirão alviceleste novamente fervendo.
Ainda não se sabe o que será do futuro do antigo estádio e, mesmo que ele continue sendo administrado pelo Londrina, o clube não tem interesse em mandar seus jogos por lá.
O novo prefeito, José Joaquim Ribeiro (PSC), ainda não decidiu o que fará com o VGD. Ele espera uma reunião com a direção do Londrina, ainda a ser agendada, para ver as intenções do clube para a praça e depois analisar.
De setembro de 1989 a setembro de 2009, o estádio ficou sob os cuidados do clube. Com o fim do contrato de cessão, o Londrina teria de devolvê-lo à Prefeitura, o que só ocorreu no início do ano passado, de forma forçada, com uma liminar obtida pela administração municipal na Justiça, que determinava a reintegração de posse do imóvel. Na época, o juiz Álvaro Rodrigues Junior, da 10Vara Cível de Londrina, demonstrou em seu despacho preocupação com a situação física do estádio.
O pedido de reintegração de posse foi feito durante a gestão do Grupo Universe, que não era reconhecida pelo então prefeito, Homero Barbosa Neto (PDT). Ele defendia um contrato de gestão com a SM Sports, o que ocorreu somente em 2011.
A administração do prefeito cassado chegou a cogitar a possibilidade de vender o VGD para uma rede de supermercados e aplicar o dinheiro na construção de uma vila olímpica.
No ano passado, o novo presidente do LEC, Cláudio Canuto, protocolou um documento oficializando a devolução, mas a ação ficou somente no papel, uma vez que o clube continua tendo o VGD como sede administrativa. Com a SM Sports assumindo o controle do futebol alviceleste, o então prefeito concedeu ao clube o direito de permanecer por mais um período no local, mas o prazo já acabou.
No final do ano passado, a Fundação de Esportes de Londrina (FEL), chegou a apresentar um projeto, junto ao Ministério do Esporte, para a reforma total da praça. O pedido era de R$ 1 milhão, valor estimado pelo engenheiro contratado à época para levantar o que precisava ser feito. ''O projeto está lá, mas depende mais da boa vontade, de vontade política, para ver se vem (o dinheiro). Mas ainda não está descartado'', afirmou o presidente da FEL, Claudemir Vilalta.
Problemas estruturais
Inaugurado em 17 de junho de 1956, com um dérbi local entre Londrina e Portuguesa, o VGD está impossibilitado de receber jogos desde o fim de 2007, quando a Comissão de Vistorias da Federação Paranaense de Futebol (FPF) detectou muitos problemas estruturais em pontos do estádio, como vestiários e a marquise da arquibancada coberta, que apresentava rachaduras e risco de desabamento.
Foram várias tentativas, em vão, de reabrir o VGD. Neste período, passaram-se três administrações no clube, mas ninguém conseguiu promover todas as reformas necessárias a ponto de obter novamente os laudos de todos os órgãos regulatórios.
No Campeonato Paranaense de 2009, o Londrina chegou a conseguir mandar dois jogos por lá. Um deles foi o fatídico confronto contra o Coritiba, com vitória alviceleste por 2 a 1, mas que sacramentou o rebaixamento do clube à Segunda Divisão.


