Paranavaí - Foi num festival de atletismo há dois anos que Tamires Santana enxergou a grande chance da sua vida. De origem humilde, a pequena estudante paranavaiense, então com 12 anos, nunca havia praticado modalidade esportiva alguma, mas logo no primeiro teste com o lançamento de pelota (modalidade teste para o lançamento de dardo), já chamou a atenção dos técnicos.
Integrada ao projeto de atletismo da cidade, Tamires só pensava em não perder a chance que lhe havia sido dada. Com uma dedicação impressionante, logo começou a mostrar aos técnicos que eles não estavam errados. Era então questão de tempo para começarem a aparecer os resultados. E eles realmente não tardaram.
Logo no primeiro ano, ela foi a quarta colocada das Olimpíadas Escolares, e em 2011 ficou com o vice, resultado que repetiu no Sul-Americano, também escolar. O grande resultado, no entanto, veio há duas semanas, quando sagrou-se campeã do Mundial Escolar, em Valeta, capital da República de Malta. Com a marca de 38m34 - dois metros abaixo da sua melhor, que é 40m86 -, Tamires brilhou na decisão contra atletas-estudantes de vários países e trouxe para Paranavaí a medalha de ouro.
''Muitos tops do ranking internacional não estavam, mas o que a gente fica contente é pela idade dela, pois lá ela competiu com atletas de até 17 anos, mais velhos, e por conta disso foi uma experiência muito importante'', ressaltou o técnico e professor de Tamires, Ademir Nicola Francisco, o Mimi.
Coordenador do projeto de atletismo de Paranavaí desde 1976, foi ele quem enxergou e apostou no talento da nova pupila há dois anos. A experiência lhe diz que pode estar diante de uma atleta de grande futuro, mas ainda prefere a cautela. É hora apenas de lapidar a joia. ''Ela é muito dedicada, sabe o que quer, tem talento, mas ainda é cedo para falar em carreira. É preciso ir por etapas, mas é lógico que depositamos bastante esperança nela'', afirma o técnico.
A próxima etapa que Tamires terá que cumprir é classificar-se para o Sul-Americano Escolar, que será realizado em Natal (RN), em dezembro, e trazer novamente a medalha de ouro. Para isso, ela precisa ser campeã ou vice das Olimpíadas Escolares Brasileiras, no início de setembro, em Poços de Caldas (MG). ''Depois disso, vamos pensar no Mundial Menores'', projeta o técnico.
Além do desempenho na pista, aos 14 anos, Tamires impressiona também pela consciência. Ela também sabe que ainda tem muitas etapas a cumprir antes de se credenciar ao status de nova promessa do atletismo brasileiro, mas não esconde o sonho de um dia chegar a disputar as melhores competições da modalidade. ''Hoje, o atletismo é minha vida, é a chance que tenho de ajudar minha família e realizar meus sonhos, mas ainda é cedo'', admite a atleta, que pelos bons resultados na temporada 2011, é uma das bolsistas do Governo do Paraná, dentro do projeto TOP 2016 (Talento Olímpico do Paraná).

mockup