Uma história de superação
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terça-feira, 25 de setembro de 2012
Rafael Souza<BR>Reportagem Local 
Uma lesão séria na cervical, três semanas de cama, mais uma no hospital e dores irreversíveis seriam motivos mais que suficientes para alguém deixar de lado a vida de esportista, certo? Não para um judoca que aprendeu na pele o sentido da palavra superação. Eduardo Russo, de 33 anos, sofreu uma grave lesão durante a Copa Brasil de Judô, no final do ano passado, e correu sérios riscos de ficar paraplégico.
Os dias seguintes àquele 9 de outubro de 2011, ele não gosta nem de lembrar. "Por diversas vezes, pensei que nunca mais entraria num tatame. Perdi toda minha força, não sentia meu lado direito quase nada, foi bem complicado. Foi doloroso, passei muito medo mesmo", relembra. Mas, aos poucos, ele foi se recuperando e o medo foi ficando no passado. Incentivado pelos amigos e com muita força de vontade e determinação, Russo venceu as limitações e voltou a lutar apenas três meses depois.
"Não sabia se ia conseguir continuar lutando, desde que sofri a lesão, e por isso cada treino, cada luta e campeonato que participo é uma vitória, por que muitos disseram que eu não conseguiria ou não poderia voltar a lutar. Não fosse a força dos amigos, não sei se conseguiria", celebra o judoca, que começou a praticar a modalidade aos 12 anos.
E o paulistano radicado em Londrina não só não parou de lutar como manteve sua rotina vencedora. Desde a Seletiva Sul-Brasileira, em abril, sua primeira competição oficial após a lesão, ele mostra no tatame porque continua tendo o respeito dos adversários. "Ali (na seletiva), venci as sete lutas por ippon (golpe perfeito) e falei: agora voltei mesmo". E voltou mesmo. No Brasileiro da Regional Sul, também em abril, ele voltou a subir no pódio com a medalha de bronze.
A última vitória do judoca, que possui mais de dez títulos estaduais, veio no início desta semana, na final dos Jogos Abertos do Paraná (JAP´s), em Maringá. O duelo final com os donos da casa estava empatado em 2 a 2 até Russo entrar no tatame. E mais uma vez ele venceu as dores e garantiu o ouro londrinense. "Senti que ia decidir, por isso pedi para que fosse o último", contou o judoca, que precisou ser medicado um dia antes, após a final da categoria leve até 73 kg, em que acabou derrotado pelo português Pedro Dias, algoz do brasileiro João Derly em Pequim 2008, e que hoje mora em Maringá.
As fortes dores continuam fazendo parte da vida do judoca. No trabalho, como instrutor físico em uma academia e também como professor de educação física da rede municipal, elas insistem em querer derrubá-lo, mas a paixão pelo judô e pelo esporte sempre fala mais alto. "O judô é minha vida. Não ganho dinheiro com isso, pelo contrário, só gasto, mas não sei ficar sem", finaliza.


