Uma história conturbada de dez anos
Romário chegou à Seleção em 87, justamente numa vaga de Bebeto, porque o Fla proibiu a apresentação do seu então jogador
Agência Estado
France PresseO outro ladoBebeto vai jogar, segundo o técnico Zagallo, na vaga de Romário. Só que a camisa 11 será de Émerson Quando Romário foi retirado da tenda de entrevistas, chorando, amparado pelo assessor de imprensa Nélson Borges, encerrava-se mais um capítulo da história da Seleção Brasileira. Desde 1987, o craque frequentava a relação de convocados. Chamado 88 vezes, entrou em campo 70, atuou em 5.397 minutos e marcou 52 gols.
Há 11 anos, o Flamengo não liberou o goleiro Zé Carlos e o atacante Bebeto para a Seleção Brasileira que, dirigida pelo mineiro Carlos Alberto Silva, faria uma excursão à Europa. Convocado às pressas para substituir Bebeto, o vascaíno Romário teve, no Aeroporto Internacional do Rio, seu primeiro contato com a seleção principal.
Ele já fora convocado para a de juniores. Dois anos antes, formara com Muller uma ótima dupla no Sul-Americano da categoria. Às vésperas de viajar para o Mundial, que seria no Chile, ele foi cortado pelo técnico Gílson Nunes, porque, da janela de um hotel no Rio, mexeu com umas garotas que estavam na calçada.
Romário, na excursão à Europa de 87, foi reserva de Mirandinha. Estreou na derrota para o Eire por 1 a 0, em Dublin. Na vitória por 3 a 2 sobre a Finlândia, fez seu primeiro gol. Na Copa América da Argentina, dias depois, foi reserva de Careca. Em 88, no Torneio do Bicentenário da Austrália, foi o craque da competição, vencida pelo Brasil. No mesmo ano, acabou artilheiro dos Jogos Olímpicos de Seul, com sete gols.
A dupla com Bebeto nasceu na Copa América de 89, quando o Brasil, dirigido por Lazaroni, foi campeão. Em 90, fraturou a perna num jogo do PSV Eindhoven, da Holanda, conseguiu ir à Copa do Mundo da Itália, mas só jogou meio tempo, diante da Escócia. Voltou a ser convocado em 92, pela dupla Parreira-Zagallo. Reclamou por ficar na reserva de Careca e Bebeto, num amistoso contra a Alemanha, em Porto Alegre, e foi punido por Zagallo, ficando afastado quase um ano das convocações.
Voltou, em lugar do contundido Muller, para o último jogo das eliminatórias da Copa de 94, em setembro de 93, contra o Uruguai
No Maracanã. Fez os dois gols dos 2 a 0 que garantiram a classificação do Brasil para o Mundial. Nos Estados Unidos, no ano seguinte, campeão, foi o craque da Copa, eleito o melhor jogador do mundo pela Fifa. Só voltou a ser convocado, já por Zagallo, em 97. Vinha sendo titular até a derrota para a Argentina, em abril. Agora, dificilmente voltará a vestir a camisa com a qual só marcou menos gols do que Pelé e Zico.

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