Nada como acordar seis e meia da manhã num domingo para sentir e superar o medo, com uma pitada de adrenalina. Foi assim que um grupo de estudantes e funcionários de uma empresa fabricante de óculos resolveram começar sua semana: descendo, pendurados por uma corda e claro equipamentos de segurança, um paredão de 36 metros de altura, algo semelhante à um prédio de cinco andares. Eram aproximadamente 30 pessoas que nunca haviam praticado rapel e se reuniram com instrutores do Clube de Aventura, ontem pela manhã, rumo à Pedreira do Cafezal, na Zona Sul da cidade.
Estudante do 2º ano de Administração na Universidade Estadual de Londrina (UEL), Juliana Carraro, acredita que enfrentar o frio matutino no dia mais preguiçoso da semana valeu a pena. ''Nossa, é gostoso demais. No começo dá aquele medo mas depois quando a gente está na descida mesmo dá uma sensação muito boa'', comentou.
Juliana se matriculou no início do ano em uma disciplina eletiva da UEL, no mínimo atípica: Esporte de Aventura. Além dela, outros seis estudantes, todos de Biologia, aceitaram o desafio ontem. ''Agora a próxima etapa é pular de paraquedas'', brincou Sabrina Hirozawa, do 4º ano de Biologia.
Como rapel não é considerado um esporte, não é necessário força ou capacidade atlética, praticamente qualquer um pode praticar com o auxílio de instrutores capacitados e material de segurança de qualidade. ''Estou há um ano praticando, fui atrás no ano passado gostei e pretendo continuar por um bom tempo'', disse Caio Blanco, supervisor de vendas, que faz parte do Clube de Aventura e ontem era um dos que orientavam os iniciantes.
Cada um dos que embicavam para descer a pedreira tentava, mas nem todos conseguiam esconder o medo. Qualquer observador mais atento percebia mãos inquietas, olhares investigativos e pernas moles. Luciana Ogaki, que durante os dias da semana trabalha no administrativo, entre quatro paredes, foi sincera, nem tentou esconder o temor. ''Ai é muito louco, dá medo eu até dei uma travada no início mas depois foi embora'', confessou.
De acordo com o gerente da empresa, Luciano Pagliarini, a ideia de fazer o rapel surgiu com o objetivo de integrar os funcionários. ''No dia a dia do trabalho todo mundo se vê de terno, roupa mais séria e hoje está todo mundo aqui se divertindo, com brincadeiras. Isso é fundamental e muito bom para desestressar também'', comentou Pagliarini, que foi ciclista profissional e fez contato com o Clube de Aventura para a empreitada na Pedreira. O montador ótico, Carlos Camillo aprovou a experiência. ''É bom demais passar por situações assim, recomendo para qualquer um''.

mockup