Uma festa azul na final da Copa
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sábado, 08 de julho de 2006
Agência O Globo 
Berlim - ''Quando a seleção chegar a Berlim...'', cantou Gilberto Gil. O Brasil não chegou. Caiu pelo caminho, derrotado pela França e por sua própria empáfia. Mas Berlim verá hoje, a partir das 15 horas (de Brasília), no Estádio Olímpico de Berlim, uma campeã mundial: França ou Itália. No século 20, a capital alemã foi sede do mais louco regime político da história humana. Depois, cortada pelo muro, simbolizou a divisão do planeta. A final promoverá o encontro e a despedida de gerações: do lado bleu, os franceses campeões em 1998; e na metade azzurra, jogadores derrotados em 1998 e 2002. Não há favoritos, mas a festa será azul.
Há dois anos, quando terminou a Eurocopa de 2004, em Portugal, com a França eliminada após campanha decepcionante, parecia ter chegado o fim da geração campeã do mundo de 98. Zidane, Thuram, Barthez, Vieira e Henry, todos remanescentes da campanha que dera à França seis anos antes o histórico e até então inédito título, foram apontados como velhos e responsáveis pelo declínio de seu futebol no cenário mundial.
Era hora de uma grande renovação. Para tocar o projeto, ninguém melhor do que Raymond Domenech, que de 1994 a 2004 comandara as seleções de base. Domenech assumiu com carta branca. Numa de suas primeiras entrevistas, disse que era mais fácil trabalhar sem o peso de Zidane e de outros velhos campeões.
A justificativa: com o craque e sua turma, qualquer derrota ganhava proporções de tragédia. Sem eles, a renovação seguiria seu curso normal.
Zidane entendeu e se afastou. O mesmo fizeram Thuram, Barthez e Makelele, todos com mais de 30 anos. E sem os vovôs, a França sofreu nas Eliminatórias, contra Suíça, Israel, Ilhas Faroe, Irlanda e Chipre. Nas últimas rodadas, atendendo mais ao apelo popular que a Domenech, que pedia auxílio desesperadamente, Zidane e sua turma voltaram.
Com eles, a França deu a volta por cima e se classificou em primeiro lugar. Mas os velhinhos não esqueceram a indelicadeza do treinador. O relacionamento com Domenech é o mais frio possível. Zidane, por exemplo, nunca fala seu nome. Quando se refere a ele, só o cita como técnico. Vieira, Thuram e Henry também mantém uma providencial distância.
''Isso só mudou um pouco depois da vitória contra a Espanha. Foi a primeira fez que vi Zidane apertando a mão de Domenech. Só ali a França se tornou uma equipe de verdade'', conta o jornalista Bernard Lions, do ''L'Equipe'', maior jornal esportivo da França.
Mas não foi só Raymond Domenech que teve que engolir suas opiniões sobre os veteranos. Depois do empate com a Coréia do Sul, na segunda rodada da fase de classificação, resultado que deixou a França às portas da desclassificação, Platini disse que o problema era idade dos jogadores. Disse que o time era velho, sem forças.
A resposta, dura, veio do lateral Sagnol, 29 anos, mas sequer atingido pela crítica. ''O melhor que ele faz é calar a boca''.
As vitórias sobre Espanha, Brasil e Portugal, com atuações destacadas dos veteranos, calaram Platini. Na sexta-feira, Sagnol procurou pôr panos quentes na polêmica. ''Platini jogou em um época diferente. O jogo era mais ofensivo, mas lento, os jogadores eram menos condicionados fisicamente. Hoje dá perfeitamente para um jogador atuar em alto nível com 34, 35 anos'', disse o lateral do Bayern de Munique.
Depois da Copa, o treinador e a França terão de se virar com uma nova geração. Zidane vai encerrar a carreira. Vieira, Barthez, Thuram e Makelele estarão próximo do adeus à seleção. Se voltar a precisar de ajuda, Domenech terá de apelar a outros nomes. Mas quais?
ITÁLIA
Buffon; Zambrotta, Canavarro, Materazzi e Grosso; Pirlo, Gattuso, Camoranesi, Perrotta e Totti; Luca Toni. Técnico: Marcello Lippi
FRANÇA
Barthez; Sagnol, Thuram, Gallas e Abidal; Vieira, Makelele, Ribery, Malouda e Zidane; Henry. Técnico: Raymond Domenech
Árbitro: Horácio Elizondo
Estádio: Olímpico, em Berlim
Horário: 15 horas


